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afonsonunes

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Finalmente começo a ouvir umas coisas interessantes, depois de tanto tempo a gramar aquilo que nem o diabo gostava de ouvir, desde o levantar de manhãzinha até ao deitar, nem que ele fosse muito depois de a noitinha já ter adormecido. Gosto de ouvir falar claro e agora parece-me que já não há nenhuma dúvida que não tenha a sua resposta.

Andava eu e muita gente moídos e ralados com a maneira de sair deste imbróglio de, governa ou não governa, de quem quer ou não quer governar, de quem gosta ou não gosta de eleições, para que se recomeçasse com a tradicional guerrilha de permanente campanha dos que não ganharam e dos que não perderam.

Afinal, fiquei já a saber que todos querem governar. Os que estão lá, querem continuar, os que estão de fora querem passar lá para dentro. Do governo, claro. Sim, o que tem lógica pois, se no Inverno, está muito frio cá fora, no Verão está muito mais fresquinho lá dentro, que mais não seja por efeito dos ares condicionados.

Mas, esta guerra dos que estão no quente ou no frio vai estar resolvida a breve prazo, pois já está a caminho uma solução multi-partida, e multi-partidos, para que todos repartam amigavelmente as boas e más temperaturas, faltando apenas resolver pequenos detalhes, como se diz na linguagem futebolística.

É claro que há os que se mostram escandalizados e os que se riem com a mão em frente da boca, mas isso não quer dizer nada, ou não fossem essas as atitudes normais de quem faz cara de caro, mas por dentro rejubila com a certeza de que não vai ficar sem nada, esta sim, uma ideia simplesmente aterradora para todos eles.

Portanto, tudo está bem mas, há sempre um mas, nada de se pensar em eleições, pois está provado que elas só complicam em lugar de resolver. Que interessa lá que meia dúzia de pacóvios queiram decidir aquilo em que não têm nada que meter o bedelho. Para pacóvios já bastam aqueles vão eleger-se a si próprios.

Depois, se aqueles pacóvios querem votar para eleger quem vai mandar, está mais que provado que quem eles elegem, acaba por não mandar nada. E assim se cria uma situação altamente deprimente que só vai dificultar a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde com depressões em cadeia que põem a abarrotar todos os hospitais do país.   

Conclui-se portanto que, eleições, nada, governo com todos sim, isso nem se discute, aprovado já por unanimidade, com uma estrondosa aclamação e com a recomendação urgente de que isso não demore tanto tempo como o entendimento sobre as scut, prova provada de que, tal como estamos, não interessa, porque ninguém manda nada.

Ora assim é que é falar, por muito que se pense que eles vão falar todos ao mesmo tempo. Vão, sim senhor, mas isso não interessa nada, como se tem visto com a Vivo. Eles falam, falam, mas dizem tudo, embora não resolvam nada. Mas, certo, certo, é que a Vivo continua viva para nós, principalmente, para os que não têm lá um cêntimo como eu.

Mas, falar, falar, seria o presidente anexar a Belém o seu partido do peito e entregar-lhe a tarefa de transmitir aos portugueses as suas orientações e determinações, como se de um governo se tratasse. Para mim, assim é que era falar.