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afonsonunes

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18 Jul, 2010

Já são quatro

Mas nada me admiraria se viessem a ser oito ou até uma dúzia deles. É um lugar seguro, estável, bem remunerado, imune às medidas de austeridade e às tropelias de justiças e injustiças, além de que ali se pode viver descansadinho resolvendo tudo através de uns inofensivos recados de alerta para problemas sem solução.

Já estive tentado a intrometer-me também nessa tarefa patriótica de mostrar ao país que não fujo às minhas responsabilidades de cidadão elegível, mas comecei a pensar naquelas secas que custam os olhos da cara aos contribuintes e, provavelmente, me dariam uma soneira dos diabos no meio de gente que nunca anda a dormir.

Aliás, também já pensei no que poderia fazer no meio de quatro bem identificadas e ilustres personalidades, quando tenho consciência de que sou apenas um elemento a quem o destino só reservou o direito de votar, normalmente, usufruindo da posse de voto de vencido, atribuindo esse insucesso a uma manifesta falta de sorte em acertar no lugar certo da cruzinha que desenho com todo o rigor.

Posto este ponto de ordem, vamos lá ao meu ponto da situação, no que respeita aos meus colegas imaginários, caso eu tivesse avançado. Começo pelo alegre entre os tristes, alguém que terá muitas possibilidades de sucesso, dada a necessidade de haver quem solte umas boas gargalhadas de alegria. E isso, só um alegre original e não artificial, pode garantir.

Talvez haja uma certa vantagem em escolher um nobre para liderar um povo simples e modesto, mesmo a roçar a condição plebeia, mas que sempre se viu bem na pele de servidor da nobreza, rica e bem vestida, bem comida e bem bebida, a mostrar à populaça que viver bem não é, nem nunca vai poder ser, para toda a gente.

Se um alegre e um nobre podem dar uma certa animação ao povo, não tenho dúvidas de que um cavaco pronto a ir ao lume, é uma acha para uma fogueira que garante o calor da sabedoria, por um lado, e a frieza de espírito, por outro, para não queimar qualquer um, mas só e apenas quem for condenado pelos seus, a cair nas chamas do purgatório.

E vão três, mas o defensor de não sei quê, nem de quem, está preparado para atacar forte e feio no sentido de provar que a melhor defesa ainda é o ataque. Vai daí que se aventure a ser o quarto na linha de partida, mesmo que saiba que será também o quarto na linha de chegada. Se lhe der alguma satisfação ser o aguadeiro do pelotão, já terá valido a pena o esforço, mesmo a meter água durante toda a campanha.

Campanha que se torna extremamente importante porque o próximo vencedor que sair dela, pode vir a ter nas mãos uma série de bombas atómicas, enquanto até agora só era permitido ter uma. É um privilégio muito especial, mas também, inegavelmente, uma grande responsabilidade.

Contudo, a minha previsão pouco previsível, diz-me que esse privilégio não será para qualquer um. Será para o vencedor, sim, mas apenas se ele estiver sintonizado com a criatura criadora do privilégio. Para isso tem de se alterar a constituição das regras que vão reger essa matéria.

Para o defensor, a constituição não permitirá mais que o uso de meia bomba atómica. Para ele, defensor, meia dose já será bomba a mais. O nobre, terá direito a usar uma bomba atómica completa, enquanto o alegre, devido às suas especiais qualificações de diversão, terá vedadas todas as possibilidades de usar quaisquer espécies de bombas, ainda que sejam de carnaval, pois a rir não se brinca com bombas.

Por estar à beira do lume, o cavaco poderá, segundo a tal constituição, usufruir do poder de gastar as bombas atómicas que quiser, mesmo que tenha de pedir fornecimentos suplementares ao Irão. Aliás, um cavaco perto do lume pode, melhor, tem de fazer tudo, porque a criatura criadora do seu poder, não será capaz de fazer mais nada de criativo.

Sinceramente, cercado por tantas bombas atómicas, já me sinto completamente desintegrado, reduzido a átomos, a poeiras nucleares, a voar no espaço aéreo do cavaquistão.

 

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