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afonsonunes

afonsonunes

23 Set, 2008

São todos iguais

 

 
Este título só tem razão de ser se estivermos a referir-nos ao resultado da produção em série de alguma coisa, ou a algum capricho criativo da mãe natureza e, mesmo assim, essa expressão talvez não seja rigorosamente perfeita. Em teoria, nada é igual a nada.
Porém, se quisermos referir-nos a pessoas, tal como muitas vezes se ouve, quase sempre em sentido pejorativo, bem se pode pensar que não há duas pessoas iguais, ainda que sejam gémeas indistinguíveis à melhor observação visual. Mas não é de parecenças ou semelhanças que queremos tratar, mas sim de uma aberrante tendência que certas pessoas têm para a generalização de defeitos que julgam ver em alguém de quem não gostam, pelos mais variados motivos.
Há quem diga que os ricos são todos iguais, uns malandros, porque têm muito dinheiro e não ajudam ninguém. Ora, todos sabemos que não podemos ir por aí, porque a riqueza pode ser fruto de muito trabalho e utilizada de muitas maneiras, umas boas e outras más.
Também há quem diga que os pobres são todos iguais, uns indigentes, que não querem trabalhar, ainda que estejam a morrer de fome. Só pode pensar assim quem viva comodamente instalado na vida e pretenda, ainda hoje, ter à sua volta uma espécie de escravos para todo o serviço, nomeadamente para lhe sacudir as moscas da cara, a troco de uma côdea dura de pão.
No mundo do futebol, a cena repete-se a todo o momento. Se a equipa preferida perde, os jogadores são todos iguais, só querem ordenados milionários, mas dar o corpinho ao manifesto, aí parou. O mesmo se passa com os dirigentes.
Quando se suspeita ou se conhece alguma vigarice de algum deles, aqui d’el rei que são todos iguais, uns corruptos que são capazes de tudo para defender os seus interesses e dos clubes que representam. Todos sabemos que todos são capazes de tudo, só que uns fazem tudo dentro da legalidade, enquanto outros fazem tudo para enganar os outros.
Mas, são os políticos os mais massacrados com essa ideia interiorizada em muitos espíritos doentios. Os políticos são todos iguais, afirmam uns derrotistas vergados ao peso de um descontentamento originado por interesses mesquinhos, por egoísmos ou ideais adulterados e retrógrados que nunca os conduzirão a nada.
Poderá haver políticos com comportamentos semelhantes, bons ou maus mas, tal como acontece com as pessoas, nunca haverá dois políticos iguais. Tal mistificação só pode vir de quem se não enxerga numa sociedade democrática e plural, onde os políticos são o que forem os cidadãos que os elegem ou os rejeitam. Os que pensam que os políticos são todos iguais, têm de aceitar que também são iguaizinhos a eles.