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afonsonunes

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Uns dizem que são precisos mais poderes para se meter isto na ordem, enquanto outros se arreganham dos pés à cabeça porque entendem que quem manda em alguém, tem poderes até demais para, alegam esses, fazerem todas as asneiras que lhes dá na real gana.

O que na verdade está em causa é que o poder causa muitos engulhos a certos lírios que não suportam que alguém lhes trave os desvarios a que costumam chamar de liberdades, bem como a certos servidores do estado que entendem que não devem servir a ninguém mas, apenas e só, servirem-se, ainda que se sirvam da humilhação para que ninguém os incomode.

Daí que se arvorem em juízes de todos aqueles que têm por missão orientá-los e disciplinar a sua actuação, numa completa subversão de posições, insistindo em querer mandar, quando deviam obedecer, boicotando sistematicamente todas as decisões que lhes não agradem, por não servirem os seus interesses, muitas vezes inconfessáveis.  

Todos os dias assistimos a vozes individuais ou colectivas que contestam todas as fontes de poder, não com críticas mais ou menos construtivas, mas com acções de puro boicote a roçar a ilegalidade, quase sempre acompanhadas de insultos e impropérios que não tolerariam se lhes respondessem no mesmo tom.

Não custa nada afirmar que são precisamente os menos sérios, os que mais se furtam às suas responsabilidades de cidadania, os que consideram que todos roubam, que todos são incompetentes, que ninguém faz nada, quando não custa verificar à vista desarmada, que são esses incorrigíveis cidadãos, supostamente exemplares, que fazem com que o país não saia dos males que eles têm entranhados e não querem eliminar.

De entre esses incorrigíveis cidadãos, há muitos que não querem, nem nunca quiseram trabalhar, vivendo do ar, mas também há muitos desses cidadãos, eleitos ou escolhidos, que têm as suas ocupações na administração pública ou outros serviços similares, que eles transformam em autênticos ninhos de víboras onde picam o seu veneno permanentemente em quem os rodeia ou, pior ainda, em quem está acima deles hierarquicamente.

Já se tem ouvido falar na estranheza de ainda se encontrar quem queira ocupar determinados cargos, sabendo-se como estão permanentemente sujeitos aos maiores vexames de gente sem escrúpulos, muito piores em tudo que aqueles a quem insultam e exigem a toda a hora que se demitam, uns atrás dos outros. Porque ninguém serve para satisfazer as suas exigências, nenhum presta para lhes servir de colher que lhes meta a papinha na boca sempre esfomeada.

É evidente que isto não é de agora nem de ontem. Isto já vem de muito longe, vendo-se que, muitas vezes, ao longo do tempo, os vilões passam a sérios e os sérios passam a vilões. Como a fruta, tudo tem as suas épocas. Como acontece com a fruta, muita coisa vai apodrecendo com o tempo e, no meio da podridão, não é fácil encontrar alguma coisa que se salve.

Até porque a fruta podre vai apodrecendo a fruta sã que tem ao lado. Às tantas, tal como a fruta misturada, também as pessoas com fama de muito sérias, ou as pessoas tidas como corruptas, todas correm o risco de passar por ser duvidosas, devido à inacção que todas elas revelam em escolher abertamente o lado onde querem estar, sem a hipocrisia das aparências.

Nem só o poder corrompe. Nem só o poder é responsável pela triste situação do país. Não é aumentando poderes ou retirando poderes, seja lá a quem for, que se põe isto no lugar devido. É preciso que cada um, do mais pequeno ao maior, utilize bem e sem hesitações, os poderes e os deveres que lhe cabem.

Mas, de uma vez por todas é, acima de tudo, necessário e urgente, acabar com os muitos contra poderes que já se demonstraram como perniciosos e que asfixiam quem tem a obrigação de usar os seus poderes legítimos. 

Até parece que há gente permanentemente interessada no interior desses contra poderes, em proteger as ervas daninhas para que medrem e infestem as culturas da sociedade.