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afonsonunes

afonsonunes

20 Ago, 2010

Fogo! ...

Sim, é verdade, estou farto de fogos, estou cheio dos pirómanos, enojado com os incendiários e de olhos arregalados por ver que, afinal, toda essa cambada merece mais respeito e consideração que qualquer pessoa séria que se esforça por fazer qualquer coisa de útil para o país. Porque, coitadinhos daqueles, são alcoólicos, ou drogados, ou sofrem de alguma frustração que os torna inimputáveis. Logo, o estado que os trate em lugar de os prender…

Estou farto de ver que as televisões dedicam horas diárias às chamas que, não raras vezes, são as mesmas durante dias seguidos, ouvindo pessoas desesperadas junto dos haveres perdidos, como se isso lhes trouxesse de volta alguma coisa. Parece que traz, e com alguma eficácia, um poderoso aliciante para os apreciadores do espectáculo.

Não posso com aqueles indivíduos que a propósito da desgraça alheia culpam tudo e todos pela tragédia que têm diante dos olhos, como se as suas diatribes de oratória resolvessem todos os defeitos que encontram em todo o lado. Só me apetece aconselhá-los a pegarem numa ferramenta qualquer e dirigirem-se para uma frente de fogo.

Contudo, podiam ainda dar melhor contributo à extinção do flagelo, indo à procura dos criminosos que não param de atear as chamas nos locais mais ermos e de difícil acesso, escolhendo, normalmente, a calada da noite para melhor encobrirem a sua cobardia e o seu desprezo pelos soldados da paz, pelas vítimas e pelos danos incalculáveis causados a tanta gente.

No mínimo, é um acto ridículo de qualquer político em representação do seu partido, ou do seu cargo, andar de volta dos fogos a mandar vir postas de pescada contra quem está a dar o seu melhor e, nitidamente, nada mais pode fazer senão incentivar quem dá o corpo ao manifesto, a dar também o seu melhor na defesa contra o inimigo que não dá tréguas.

Ao menos podiam ver os exemplos que nos chegam lá de fora, mesmo de grandes potências, ricas e poderosas, mas que têm de pedir auxílio perante a impotência dos meios de que dispõem que, em circunstâncias tão invulgares, nunca serão suficientes perante tais calamidades. Se assim é para essas potências, como não o há-de ser para um país pequeno e de recursos limitados como o nosso.

Bem basta que se oiçam os desabafos mais injustos vindos de quem se vê no centro da desgraça e do desespero. Compreende-se. Só quem não passa por situações dessas o não compreende. O que se não compreende são os oportunistas que se aproveitam dessas vítimas da tragédia para atingirem objectivos que nada têm a ver com isso.

É fácil falar de muita coisa que se podia fazer. O mais difícil é fazer aquilo que é possível fazer, dentro dos condicionalismos existentes no país, tanto no aspecto económico-financeiro, como no aspecto operacional ao dispor de cada extracto da população envolvida.

É evidente que há sempre quem veja em tudo uma questão de ajudas do estado, que tudo tem obrigação de pagar, mesmo àqueles que não mexem uma palha para defender o que lhes pertence. Pelo contrário, muitos deles são autênticos incendiários, só porque vêem nessas acções, boas possibilidades de ainda irem lá buscar algum. Ou, de não terem de pagar do seu, o custo da prevenção que evitaria essas verdadeiras catástrofes.

 Fogo! … É o meu desabafo perante tantas e tão incorrigíveis mentalidades.