Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

11 Set, 2010

Ma(n)dail(o)

O Gil Berto Manda ‘Ilo’, depois de ter já em mente mandar ir aos figos o professor de educação linguística avançada e domador de casacos rebeldes, deu ao país o extraordinário exemplo de como se deve gerir uma selecção à deriva, perdida nas alturas, no meio de nuvens negras e densas, onde predominam os raios e os coriscos.

Como piloto e gestor de toda essa trovoada ruidosa, entendeu que em tal situação desesperada, não havia melhor forma de prosseguir viagem, que colocar em funcionamento o piloto automático, pois os pilotos que usam as mãozinhas e as cabecinhas, estavam todos em fanicos, incluindo o seu, evidentemente.

Depois, afinal, o piloto automático foi um clamoroso falhanço, que nem sequer foi capaz de fazer uma aterragem sem trem, nem evitou a debandada dos ‘vips’ que estavam a ver o seu prestígio a vir lá de cima, em queda livre, por aí abaixo.

Foi aí que o Gil Berto mandou mesmo ‘i-lo’ embora, ao piloto titular, claro, transformando-lhe o recibo verde das massinhas, em cartão vermelho directo, confundindo infantilmente a sua função de gestor, com a maldita mania de, mais uma vez, se meter na função arbitral, que é a coisa mais querida de todos aqueles que, como borboletas, circulam à volta do fogo-fátuo daquela vela que também é redondinha.

Estou a lembrar-me aquele a quem chamam o Laurentinho do estado caótico que, pelo que se diz nos mentideros mais credíveis, esteve empenhadíssimo a meter a colherada naquela panela ainda a ferver. Tudo porque o amigo Gil Berto, o Manda-ilo, aparenta ter já queimaduras do segundo grau, com tendência para se graduar ainda mais. 

Vai daí que é preciso ir pensando já no seu sucessor, tendo em atenção as superiores orientações do Laurentinho, secretário do aviário da pintaria que, ao contrário do que é dito por gente mediocremente informada, não pretende colocar lá um astro político para lhe satisfazer as necessidades do partido.

Pelo contrário, o Laurentinho no estado crítico, vai querer colocar no lugar do Gil Berto, um outro sacristão, colega de confiança e crente da mesma fé deste último, ainda que seja um assanhado opositor político daquele, caso destes dois agora na berlinda. Logo, aqui não é uma questão de partidos, mas antes uma questão de resultados das partidas.

Aqui, não vamos assistir à disputa de um lugar para rosas ou laranjas. Aqui não vamos ver Passos a reclamar, nem Sócrates a teimar. Aqui vamos ter a hierarquia papal nortenha a funcionar, sem que ninguém vá piar do que sair do concílio, depois do tradicional fumo branco.

Quanto a isso estamos todos descansadinhos e tranquilos, assim funcionasse tudo neste país, com a mesma previsibilidade e razoabilidade. Talvez por isso, também me sinto no dever de tentar contribuir com a minha habitual boa vontade de colaborar para que qualquer coisinha mude e se não diga que isto não passa da pasmaceira do costume.

Pois, sugiro então que o sucessor do Gil Berto, segundo a ‘Ilo, mude a sede do seu cargo para a cidade do Porto, de preferência para a Ribeira, por causa da necessidade de meter água a toda a hora, coisa que não falta no Douro, tal como sugiro que o sucessor do Laurentinho vá de armas e bagagens, com toda a sua secretaria do estado de sítio para a Invicta, assim, por exemplo, para a Praça da Batalha, para que todas as batalhas futuras sejam limpas e abertas a todas as fés e crenças, quer tenham papa, ou tenham apenas papas na língua.  

Somos um país de bestiais mas, muito melhores que eles, são as bocas que lhes ouvimos, e que sobre eles ouvimos, a toda a hora. Daí que me parece que devemos deixá-los ‘i-los’ a todos os que ali tratam da vidinha sem que ninguém se tenha incomodado nadinha com isso ao longo de tantos anos passados e muito felizes.