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afonsonunes

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Quando alguém manda um recado ao amigo ou ao inimigo, deve estar preparado para receber uma resposta no mesmo tipo de mensagem que enviou, ou seja, um recado mais ou menos agradável comparado com aquele que iniciou a comunicação entre os dois interlocutores.

Sim, porque este modo de brincar aos recados, não significa que se pode insinuar umas coisas, que até podem ser desagradáveis, e depois considerar que os recados de resposta têm de ser sempre uma mensagem de correspondente atento, respeitoso, venerando e obrigado.  

Muito menos essa resposta a recados, mesmo do altíssimo, se podem considerar faltas de respeito e muito menos faltas de educação, pois não me consta que tenha de se pagar uma boca mais ou menos incisiva com um beijinho, ainda que seja do tipo paternal e deixado numa testa ocasionalmente bastante crispada e tensa em circunstâncias como essas.

A boa educação assenta numa base de reciprocidade e nem sempre os mais bem-educados são aqueles que dizem que o são. É óbvio que em política é muito difícil ver boa educação no calor das lutas verbais que precedem decisões importantes. Porém, seria uma pasmaceira se uma parte pudesse fazer uma campanha de recados e a outra parte não pudesse abrir a boca para não melindrar ninguém.

Quantas vezes a boa ou má educação se revela no modo como se olha, como se sorri ou como se recusa falar, depois de já se ter dito tudo o que se diz que não se pode dizer. Até um simples gesto, uma hesitação, um meneio da cabeça, um sorriso amarelo, dizem mais que mil palavras de pretensa boa educação.

Sempre tenho ouvido dizer que a política tanto pode ser um jogo como uma guerra, sendo certo que a própria guerra também é um jogo. Assim sendo, estes jogos de guerras politiqueiras chegam a dirimir a vida de muita gente, daí a necessidade de se rebuscarem cuidadosamente as palavras que sirvam de armas fortes no decorrer da contenda.

É por isso que meter a educação nesta espécie de jogos florais, com mais ou menos cultura, parece-me estar a usar-se uma arma desadequada para este tipo de confronto. E, quando se usam armas desadequadas dá, desde logo, a sensação de que há falta de outras armas mais eficazes para combater o inimigo.

Chegado a este ponto do alinhavo destas linhas, direi mesmo que elas estão um perfeito desalinho, corro o risco de ser considerado um incorrigível malcriado, por não ter usado os termos adequados a um tratamento respeitoso em relação a quem podem estar a pensar, em quem, presumivelmente, eu estaria a pensar neste momento.

 Se eu e a doutora tivéssemos tido o cuidado de meter em cada um dos parágrafos, um complemento, do tipo ‘com o devido respeito’, ou ‘com a minha admiração’, as coisas assumiriam, desde logo, outro aspecto completamente diferente, pois salvaguardariam a diferença de educação e não só, entre ele e nós, no caso, eu e ela.

Este é um daqueles casos que não têm razão de existir, como tantos outros que andam por aí a matar a cabeça de tanta gente. A senhora doutora disse claramente que não gosta do senhor professor. Está no seu direito e isso não é falta de educação. O senhor professor ficou com cara de poucos amigos ao ouvir o que não gostou. Está no seu direito.

Porém, não tem o direito de se considerar muito bem-educado só porque não é capaz de dizer que não gosta da senhora doutora. Se o dissesse não havia o mais pequeno problema. Nem ninguém teria falta de educação.

 

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