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afonsonunes

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Francamente, acho que ser presidente é uma honra demasiado pomposa para quem preside a grupos, sejam eles de que natureza for. Quando se fala em presidente lembra logo um cargo de relevância máxima, um cargo que obriga as pessoas a terem tento na língua quando abrem a boca a seu respeito.

É que um presidente de verdade tem todo o direito de dizer o que lhe dá na real gana, sobre qualquer assunto ou sobre qualquer pessoa, sem que tenha de dar explicações sobre o que disse ou opinou. É um facto consumado porque o presidente disse, está dito e muito bem dito, logo, não se discute.

Mas hoje apeteceu-me falar de dois presidentes de grupos muito especiais e não de presidentes de grupos económicos, filosóficos ou quaisquer outros. E, para não alargar muito o dissertar, vou andar à volta do Chico Assis e do Miguel Maçudo, mais aqueles que assiduamente se lhes juntam nos seus dissertares sempre plenos de qualidade e interesse.

Apesar disso, parece-me que um grupo, se não for um daqueles grupos de alto lá com eles, é um conjunto maior ou menor de especialistas em dizer o que não pensam, ou pensam o que não dizem que, a meu ver, lá vai sempre dar na cepa torta.

Assim sendo, se um grupo é isso, o que é que eu devo pensar de um presidente de um grupo deste tipo? E o que é que esse presidente poderá dizer ou pensar, quando se pronuncia sobre os assuntos expostos pelos elementos do seu grupo?

Porém, muito mais interessante é quando o presidente do grupo tem de levantar a voz para falar do presidente e do grupo antagónico, constituído por sujeitos com as mesmas características do grupo a que pertence.

Sinceramente, gosto muito de ouvir o Miguel Maçudo, com a sua lógica, ora dobrada, ora desdobrada, nunca dando qualquer hipótese de comparação entre o discurso e o nome, duas coisas completamente diferentes, se atendermos a que o homem nunca é maçudo, logo, maçudo é quem pensa que é apenas o discurso.

Sinceramente também, gosto do Chico Assis a falar depressa e bem, porque ele diz tudo tão direitinho, que até parece que lhe estão a ditar as palavras de São Bento, via auriculares da próxima geração, ainda secretos, mas já usados em anteriores operações de escuta, como a célebre escuta do governo a outro presidente, que agora não vem ao caso.

Aí estão dois excelentes presidentes de grupos que, apesar de assumirem a toda a hora que não se entendem lá muito bem, entendem perfeitamente os recados recebidos via telejornais que, em informação de última hora, se dá tudo com estando nos conformes.

Entretanto, já nos divertimos bastante com o Miguel Relvados, um perfeito castiço da planície ribatejana, verdejante, com as suas relvas de pastagens fartas e ditos folclóricos de primeira roda, sempre despejados com um sorriso que, só por si, dava para mandar a crise toda, de uma assentada, para os lados do Chico Assis.

O Chico, por seu lado, mostra-nos como o seu camarada Jorge Lacrau, seu supervisor, lhe demonstra que tem toda a razão em não acreditar em Miguéis, além de fazer questão de ler ali, naquela assembleia que já cheira a constituinte do vazio, todo um manual de caça, apesar de ainda estarmos no defeso no que toca a coelhos.

Lembrando-me de como todos eles passam o tempo, agora dou comigo a pensar para que é todo este arrazoado que estive para aqui a matraquear, se eu sei de antemão que isto não passa de conversa fiada.

Sim, conversa fiada a minha, mas por culpa deles, que não são capazes de estar calados, quando não têm nada de jeito para dizer.