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afonsonunes

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20 Set, 2010

Os dons de Portugal

Já tínhamos o D. Cristiano e o D. Mourinho e a partir de agora temos também o D. Gilberto, todos subjugados à real força do madrileno D. Florentino que, se fosse português, não tinha como fugir a chamar-se Pires. Assim, como em Espanha nada é pequeno, caso dos pires, toca de optarem por lhe chamar Peres, que sempre tem outra dimensão.

Ainda estou para perceber como é que um Gilberto tão grande no misterioso mundo das coisas fantasmagóricas da bola, enorme no encantador mundo da política, surreal no convincente mundo de um partido que dá lições de tudo o que de bom todos os portugueses deviam saber, se vai até Madrid, de corda ao pescoço, dobrar as costas a D. Florentino.

Estou convencido que a intenção era apenas a de conseguir o tão almejado tratamento de D. Gilberto, tudo porque cá, entre Lisboa e o Porto, com paragens regulares por Aveiro, não sei a fazer o quê, já só consegue um tratamento de Mada não sei quê, com uma entoação que qualquer intérprete de segunda diria que é mesmo para ir andando.

Na minha douta opinião o candidato a D. Gilberto esqueceu-se de um irrelevante pormenor que bem revela a sua impreparação no planeamento de viagens tão importantes como o era essa. Refiro-me ao imperdoável esquecimento de que, antes de mais nada, tinha de ter falado com D. Cristiano que, esse sim, é o ai Jesus de D. Florentino.

Mas não só. D. Cristiano também é o ai Jesus de D. Mourinho, porque é ele, D. Cristiano, que marca ou não marca aquilo que os outros dois dons e o candidato Gilberto, tanto desejam e festejam, ou não estivessem em causa as suas reais honrarias dentro e fora do reino de Santiago e as derramas que de lá saem.

D. Gilberto valorizou apenas os tempos do início do êxito do mais antigo destes amigos, talvez pensando cobrar agora possíveis favores que, porventura, deixou então à beira do Douro. Mas este, implacável, já fez correr muita água por baixo das suas pontes, com enxurradas e tudo, que tudo levaram para lá da foz.

É evidente que D. Mourinho não esqueceu nada e fez tudo, melhor, disse tudo o que convinha ao candidato a D. Gilberto, para ver se lhe tirava aquela expressão terrível com que o vira na última fotografia. Ainda o fez sorrir, mas o fotógrafo não estava preparado para o clique salvador, pois estava nas suas costas.

A vida anda dura para Gilberto, agora definitivamente sem D. Mas, daqui lhe envio o meu convencimento de que tudo não passará de um momento, apenas um pequeno momento, que o poderio anterior não deixará de restabelecer quanto antes. A força é um elemento que não se perde facilmente. A menos que a comidinha falte. O que não é o caso, obviamente.

Mas que houve aqui e ali um desnorte, lá isso houve. E o que mais surpreendeu foi a jogada infeliz em que D. Mourinho meteu o pé, tendo em conta o estratega inteligente e oportuno que sempre foi. Talvez julgue que lhe ficaria lindamente aquele ar de patriota colaborante, caritativo e salvador, que até ele sabia que era tudo de faz de conta.

Agora, como não podia deixar de acontecer, foram-se os dons, não apareceram os senhores, mas temos o Paulo, o português Paulo, que vai, certamente, fazer as coisas à sua maneira: com muita tranquilidade. Vamos ver até quando, isto é, se lhe dão essa tranquilidade por muito tempo.