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afonsonunes

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03 Out, 2010

gastarmais.come

Tomei a importante decisão de me dirigir a todos os não gastadores inveterados para que reconsiderem urgentemente a sua atitude de permanente contenção das despesas mais banais, só para serem publicamente apelidados de poupadinhos e candidatos ao prémio anual do cidadão mais amigo da economia nacional.

É evidente que gastar pouco é um acto de incoerência, pois só se compreende que gaste pouco quem não tem nada na carteira e muito menos que isso no banco. Agora quem tem os dois lados bem guarnecidos, ou é parvinho ou está a brincar com o pagode. E que nunca mais diga que ganha pouco ou ande por aí aos gritos a reivindicar um aumento.

Logicamente que quem não é capaz de gastar o que tem, não precisa lamuriar-se daquele jeito de quem não tem nada, pretendendo mostrar a toda a hora que é um pobretanas com unhas-de-fome, ao mesmo tempo que se arranha todo para conseguir tirar aos outros aquilo que pode constituir a sua sobrevivência.

Tendo em consideração todos estes pressupostos, lembrei-me de lançar este movimento em www.gastarmais.come, com a finalidade de incentivar o consumo, fonte de todas as riquezas e albergue de todas as barrigas cheias, sem aqueles preconceitos de quem se sente na obrigação de ter mais no banco que o ministro do tesouro tem nos cofres.

Outro dos objectivos deste site é demonstrar que na rede há um erro tremendo que engana muita gente, que é o ‘.com’, como se houvesse aquela hipocrisia de dissimular aquilo que toda a gente mais gosta, que é o ‘.come’ com todas as letras. Sim, porque ainda não vi ninguém dizer que gosta de ‘comr’ em lugar de ‘comer’.

Isto parece que são simples pormenores de quem não tem mais nada para dizer, mas não é bem assim. Há quem prefira ‘cortarnadespesa’ a ‘gastarmais’, isto com .com ou .come. Pois eu digo que, cortar é sempre cortar, criando outro problema grave, que será muito difícil de explicar. Se alguém corta alguma coisa do que tem, vai ter de o deitar fora.

Ora isto, como toda a gente sabe, é um desperdício inexplicável nos tempos que correm. Nem a um partido político lembraria tal heresia, ainda que sob a capa de deixar os cortes nas mãos dos seus militantes, votantes ou simpatizantes, os quais gostariam muito mais que lhes dessem mais ‘come’ em lugar de cortes do tipo ‘.com’.

Estou mesmo a ver que os outros partidos ficariam de orelhas levantadas temendo que o site vá esbarrar na calamidade de outro endereço em criação, ‘cortesnadespesa.partidos.com’ que, certamente, deixaria muita gente sem comer nada por lá. Se isso acontecesse, é difícil de explicar onde é que eles iriam comer.

Evidentemente que isto é uma suposição absurda e nunca eu teria o descaramento de sugerir tal coisa em qualquer site. Senão, como é que eu poderia defender o meu ‘gastarmais.come’? Aqui, sim, a lógica da equidade e das barriguinhas todas cheias até ao gargalo, é quem mais ordenha. Tudo sempre a crescer e nunca nada a cortar.

Se virmos bem, um corte é sempre uma amputação. Suponho que ninguém teria a coragem de sugerir uma amputação na despesa. Coitada dela, principalmente, quando se sentisse responsável por igual ou maior amputação na receita, ou não fossem elas, despesa e receita, duas unhas encravadas no gastarmais ou gastarmenos, com ou sem .come.

Pelo que me toca como cidadão, só desejo que, para lá da massinha, não me cortem mesmo mais nada.