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afonsonunes

afonsonunes

05 Out, 2010

Blá blá blá

Este é um dialecto extremamente simples e directo que, por isso mesmo, é nele que se exprimem noventa e nove vírgula nove por cento dos portugueses que se interessam pela maneira como decorrem as coisas que lhe arranham a pele, normalmente, as unhas dos políticos que não costumam ser lá muito moles.

Com nove letras apenas se escreve esse dialecto tri-blá, muito em voga em todos os lugares e em quase todas as bocas que ainda não foram silenciadas pela austeridade ou seladas pela crise que afecta, em princípio, a mobilidade das línguas, devido ao facto de ficarem privadas de saliva, logo, um problema de lubrificação oral.

Sem qualquer exagero, oiço o blá blá blá desde madrugada até altas horas da noite e isto porque nem sou daqueles que mais me meto com a noite, porque ainda acredito que deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. Não sei o quê, mas o cabelo não é com certeza, embora eu não leve o ditado totalmente a sério.

Agora o dialecto da moda, esse levo-o muito a sério, porque se vê perfeitamente que os políticos baseiam nele os seus êxitos, que são muitos e variados, o que leva os seus seguidores, e a mim também, a não prescindir de lhes imitar o sucesso, pois ninguém gosta de se ver envolvido em conversas fúteis com amigos da onça.

O blá blá blá é um meio de comunicação simples, porque se pode alargar a todo o mundo sem ter-mos de nos meter em cursos caros, prolongados e difíceis, ainda por cima um para cada língua. Portanto, aquele é um meio muito económico em palavras, três simplesmente, mas que dizem tudo, mesmo aquilo que não queríamos dizer a certas pessoas.

Estou plenamente convencido de que o José e o Passos ainda não experimentaram a nova linguagem nas sessões particulares em que falam sobre o orçamento que têm em mente. Sim, porque cada um deles mente com a linguagem que lhes é própria nesses encontros, por estarem convencidos que o blá blá blá é só para usarem quando falam para as televisões e para os jornais.

Depois, cá estamos nós para pagar os erros de linguagem deles, apesar de compensarmos a falta que eles demonstram, com o nosso blá blá blá fluente e esclarecedor, que só é pena que eles o não oiçam com a atenção que merece e os levaria a corrigir muitos dos males que provocam aos que já têm a língua bem afinadinha.

Já que falei naqueles dois, coisa que não gosto nada de fazer, porque só se mete na vida dos outros quem não tem nada para dizer da sua, lembrei-me de sugerir que todo o blá blá blá deles seja escutado e gravado, como tantas outras coisas que não foram além disso.

Era uma maneira de os amantes do blá blá blá do You Tube sobre as escutas que celebrizaram um outro dialecto, este individual, o gondomarês, terem uma alternativa àquelas centenas de milhares de visitas tão instrutivas, tão eloquentes, mas tão monótonas, pela simples razão de que os escutados apenas empregam quatro ou cinco palavras, mas que palavras… Uns palavrões próprios de uma primeira liga.

Ainda dizem por aí no blá blá blá corrente, que os políticos são uns isto e aquilo que a gente mais envergonhada evita repetir. Eu não evito porque não tenho vergonha nenhuma, mas a verdade é que depois de ouvir as tais palavras em gondomarês, ainda por cima com algumas origens do blá blá blá dos lateiros de antigamente, aí parou.

Bom, daqui a pouco começo mesmo a sentir vergonha mas é do meu blá blá blá.  

 

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