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afonsonunes

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Oiço dizer frequentemente que o país tem falta de valores morais e de quem os saiba descobrir e implantar numa sociedade em que a mediocridade se instalou e nada nem ninguém se atreve a lutar contra ela sem nos intoxicar de retórica.

A mediocridade medra muito mais nos ambientes dominados por pessoas singulares, em que as suas decisões enfermam da tacanhez própria de mentes que chegaram a lugares cimeiros por via de perseguição do sucesso de outros decisores calculistas por natureza. 

Ora, se as coisas não têm corrido bem com gestores e dirigentes individuais, está na hora de se repensar tais incidências, passando quanto antes à gestão e dirigismo colectivo, isto é, não mais um indivíduo apenas, a tomar decisões importantes que interessem ao país todo.

É de boa norma em qualquer oportunidade ou circunstância começar por cima. Porque, normalmente, tudo corre de cima para baixo e não o contrário, talvez porque as leis da física, estabeleceram que tinha de ser assim.

No nosso ordenamento político e constitucional aparece no topo da república um presidente que é eleito de cinco em cinco anos. É ele quem mais manda e está próximo o dia em que os portugueses vão ser chamados a elegê-lo.

Estão já na minha lista cinco nomes, ou seja, um quinteto do qual me dizem que tenho de escolher um na devida altura. É aqui que entra a minha imaginação. Não quero escolher nenhum, por motivos que não me apetece divulgar.

Mas tenho todo o gosto em esclarecer que acho uma maravilha não excluir nenhum. Por mim, estão todos eleitos e a presidência passa a ser dirigida por esse quinteto presidencial, que funcionará em regime colegial, pois estou certo que todos frequentaram bons colégios.

Além disso, acaba-se com essa ideia errada de que o presidente é deste ou daquele partido, que só manda recados para o inimigo e muitos abraços e cumprimentos para os amigos. Tudo invenções, mas há quem não pense como eu. Olá se há.

Portanto, a minha teoria do poder colectivo começava por aqui, porque está na hora de organizar o acto eleitoral que, assim, terá necessariamente que ser um tanto diferente. Por exemplo, deve constar nas listas, a especialidade, ou seja, o ponto forte, de cada um dos membros desse quinteto presidencial.  

Também não me importo de sugerir as cinco melhores especialidades, tendo em vista a análise que fiz previamente em relação a cada um deles. Sim, porque não se trata de candidatos a presidentes de partidos ou coisa que o valha.

A primeira especialidade a ser atribuída deverá ser a da saúde. O povo está muito doente, logo, é indispensável que um deles se dedique a tempo inteiro a tratar da saúde aos doentes de todas as patologias, sem excluir aquela que é mesmo específica dos patos bravos que não se cansam de andar permanentemente na arribação.

A segunda especialidade terá mesmo de ser a da inclusão/exclusão. O povo está muito incluído na miséria e muito excluído de lidar com bancos. Tem de haver um membro do quinteto presidencial que abra as portas dos bancos a uns e outros sem excepção, nem que tenha de passar a vida como porteiro de um deles para dar bons exemplos.

A terceira especialidade será saber aconselhar a viver cá dentro ou lá fora. Há muitos emigrantes que sabem muito disso e sabem também como se ganha dinheiro lá fora. O membro do quinteto presidencial que ficar com esse imbróglio tem de lhes ensinar como se ganha mais cá dentro que lá fora, sobretudo, com as reformas rápidas, ou mesmo rapidinhas.

A quarta especialidade tem uma importância capital. Sorrir, unir, desunir, sem falar. Não é fácil, mas se fizerem o que manda esse membro do quinteto presidencial, a vida será cor de … Ah, isso não se pode dizer agora, mas será dito depois. Porque quem manda agora, não manda nada daqui a pouco. Devem compreender que é assim.

Finalmente, a quinta especialidade. Ah, esta é fácil. O membro do quinteto presidencial que não souber fazer nada, vá lá, mesmo quase nada, fica com ela. Se tiver partido, vai lá dar uma volta todos os dias a ver como estão as coisas, se não tiver, é melhor que vá pensando nisso, senão qualquer dia fica desempregado.

Bom, como já fiz o meu trabalho de casa, deixo à boa vontade de cada um encaixar um nome do quinteto presidencial em cada uma das especialidades. É difícil? Mas que coisa! Toda a gente se queixa que tudo é difícil, que tudo está difícil. Vá lá. Tentar, não é cair em tentação. E se alguém cair, há que ser gentil: levantem-no.

Mas, agora a sério. Este quinteto presidencial seria mesmo um sucesso.