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afonsonunes

afonsonunes

09 Out, 2010

Matas-te ou mato-te

Entre uma e outra opção venha o diabo e escolha. É o mesmo que dizer a alguém: está aqui a pistola, queres disparar tu, ou disparo eu? O alvo é sempre a tua cabeça. Há quem esteja a especializar-se nesta sábia maneira de enganar os tolos, embora se abstenha de utilizar a pistola, talvez porque faz um barulho do qual a generalidade das pessoas não gosta.

Porém, há quem não entre nesse jogo, porque nem é suicida nem se coloca a jeito para que lhe acertem com facilidade, o que dá origem a situações de embaraço que podem resultar numa grande complicação. E disso já nós temos com fartura para ainda estarmos à procura de crimes a fingir, quando temos tantos de verdade.

O crime nunca compensa mas, no caso presente, é mesmo um prejuízo, ou não estivesse eu a pensar numa data de encenadores do crime contra o bem comum, mais concretamente em gente do mundo da política que passa a vida aos tiros verbais, umas vezes para acertar nos adversários, outras vezes fazendo fogo para o ar, com a língua a soltar baforadas de fumo.

Também são bem conhecidos os que passam a vida a dar tiros nos próprios pés. Muitas vezes até seriam benéficos para toda a gente se os atingidos ficassem impossibilitados de dar mais passos em falso mas, em boa verdade, com mais ligadura menos ligadura, com cadeiras de rodas ou com canadianas, lá continuam a fazer as asneiras da sua especialidade.

Passando para coisas mais suaves, mas muito mais dolorosas para as nossas condições de vida, sobretudo no que toca ao futuro que nos espera, temos um governo que tem uma pistola apontada à cabeça, exigindo-lhe alguém que pegue na arma e a dispare, para que fique com o ónus do suicídio e livre o agressor do crime de assassínio.

A estratégia pode ser boa mas não é ponto assente que vá resultar, tal é a demagogia com que ela é propagandeada e tão nítidos são os intentos de querer impor uma solução de que se mostram incapazes de nos convencer de quais as vantagens da mudança que se propõem fazer. Se é que de mudanças se pode falar.

Se olharmos para o passado não se descortina que os arautos das mudanças que agora propalam lhes dêem um mínimo de crédito a seu favor. Sabe-se que as grandes mudanças só se fazem com maiorias absolutas no parlamento. Ora, basta ver quem mais delas dispôs, para se perceber quem teve mais oportunidades que não aproveitou.

Em termos de desperdício e corrupção, só quem não quiser ver é que não descortina, quando é que mais dinheiro desapareceu do estado para particulares, sem a correspondente obra feita, sendo também notório ainda hoje, quem é que mais se abotoou na época das vacas gordas. Fala-se muito em nomes, em muitos nomes, mas nem sempre se acerta nos que tiveram a fama e o proveito.

Anda muita poeira no ar, e de há muito tempo, destinada a encobrir quem sempre se esteve borrifando para o povo. Tal como agora, e em todos os partidos, pois da direita à esquerda não são precisas lupas para os descobrir no meio da turvação do ambiente. Portanto, que não venham os piores de sempre, agora armados em anjinhos de asas brancas, a querer convencer-nos de que são os portadores de todas as virtudes.

Neste jogo de pistolas apontadas às cabeças, só o entenderia se houvesse, agora, duas pistolas apontadas a duas cabeças e pudessem ser disparadas pelos próprios, ao mesmo tempo, nesta ficção de uma situação que toda ela aponta para uma realidade estúpida, provocada pela estupidez de quem não deveria ter direito a abrir a boca para nos tramar.

Mas, nesta estúpida realidade, já não há mais margem para discutir quem é que foi mais e quem é que é menos neste momento. Como também não é menor estupidez estar ainda a assobiar para o lado à espera que o tempo salve a inépcia e o calculismo dos interesses pessoais.

Ponham-se de lado as pistolas virtuais e as balas verbais. É tempo de todos nos salvarmos uns aos outros, porque bem me parece que nesta guerra ninguém vai sair a rir-se de ninguém.

 

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