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afonsonunes

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10 Out, 2010

O dito cujo

É evidente que o dito cujo tem nome, mas eu tenho uma relutância tremenda em estar para aqui a citar nomes de quem não me conhece de lado nenhum logo, também não me autorizou a falar dele, assim como quem vai de caminho. De qualquer modo, na volta do caminho, sempre se pode dizer qualquer coisita.

Por natureza, estou sempre contra todas as espécies de atentados à inteligência, quando eles são a evidente demonstração de que só se vê o caminho escabroso de um percurso, quando ao lado dele há uma via onde se pode transitar sem magoar muito os pés, ou estragar os pneus da viatura que nos leva.

Porque o essencial é não sermos levados, levados sim, como dizia um certo hino, a massacrar seja lá quem for, só porque é giro ir na onda, ainda que dela não se conheça a origem nem o destino. Porque o essencial é saber ver os prós e os contras, não os das segundas-feiras, chatos e repetitivos, mas os das situações que nos moem o juízo.

O dito cujo, seguramente, também não fez o que os seus antecessores de sempre nunca souberam, ou não conseguiram fazer, ao longo de muitos anos. E o resultado está aí, um lamaçal enorme em que quase toda a gente tem as galochas mergulhadas até ao cimo e algumas já deixaram mesmo entrar alguma.

Como de costume, há quem só veja lama no dito cujo para não ter que olhar para si próprio. E então quem esteve no lugar dele durante todos esses anos, e foram muitos, não viram nada, não comeram nada, não deram nada a comer, nem nunca repararam no desperdício que a sua falta de visão provocou.

Hoje são uns olhos vivos que tudo vêem, e uns pés ligeiros que de tudo fogem, para que o dito cujo carregue com os erros próprios, mas também os alheios, incluindo os desses atentos de hoje e distraídos de outros tempos. O que eles não são capazes de enxergar, são algumas coisas que o dito cujo fez e nunca os sábios de agora fizeram, enquanto puderam e tiveram muito melhores condições para o fazerem.

Sem pretender branquear as responsabilidades do dito cujo, não consigo engolir determinadas contradições de outros ditos cujos. Daqueles que dizem que o outro não fez nada, mas estão exactamente nesta ânsia, por causa de tudo aquilo que ele fez e estes não gostaram. Não fazer nada é uma coisa, fazer o que nós não gostamos é outra.

Quando os ditos cujos chumbam uma coisa do outro dito cujo, é porque já viram perfeitamente que coisa é essa e que essa coisa não presta mesmo. Quando a seguir dizem que não se podem pronunciar sobre uma coisa que não conhecem, coisa essa que já disseram que chumbam, estão a fazer de nós, aquilo que eles não sabem que são.

Quando os ditos cujos estão sempre a falar de chantagem do outro dito cujo, parece-me que estão a fazer render a sua própria chantagem. O outro dito cujo tem a obrigação de informar o resultado lógico de uma chantagem que está a ser exercida sobre ele. Chantagem esta que, essa sim, vai contra toda a lógica da discussão entre todos os ditos cujos.

Já me soaram aos ouvidos uns zuns zuns de que o dito cujo não devia ter ido à inauguração de uma igreja. Não quero ser mais papista que o papa mas fico a pensar se ele poderia ter ido a uma inauguração de uma mesquita, de uma sinagoga ou, um pouco fora de contexto, à inauguração de um pagode qualquer.

Depois de tantas oportunidades que tiveram os ditos cujos em conjunto, de passar a rasteira fatal ao dito cujo adversário é, no mínimo, um aproveitamento pouco sério, digo eu, da situação real actual, por mais desculpas que inventem, à revelia de outros modos de ver, até de instâncias de quem dependemos, quer se queira quer não.  

Depois, o conjunto dos ditos cujos que já têm os cartuchos não mão, estão longe de saber o que serão capazes de aprovar entre si, depois de disparar contra as propostas do outro dito cujo, finalmente à beira de se ver livre daquela barreira de fogo, quase a fazer lembrar o velho pelotão de fuzilamento.

Divirtam-se à grande e à francesa com todos os ditos cujos que quiserem mas, se não houver mudança de vida, de hábitos e de manias, não haverá birras e chantagens que nos salvem. Porque, na realidade, os ditos cujos que não querem perder nada agora, esquecem o que já arrecadarem indevidamente até há uns dias atrás.

Se não contribuírem para estancar a enxurrada que está lá em cima, depois gritem pelo dito cujo para vos vir salvar.

 

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