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afonsonunes

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11 Out, 2010

Vexa é que sabe

Há personalidades a quem a gente deve tratar com toda a urbanidade, sobretudo e principalmente, com o todo o respeitinho do mundo, ou não fossem elas que nos conduzem à felicidade, se não for aquela que a gente deseja será, pelo menos, aquela que elas dizem que nos convém. E se elas o dizem a gente tem de acreditar. 

Depois, a gente não pode de modo nenhum contrariar o badalado que lhes dedicam, senão caímos naquela situação de sermos uns servos ao serviço do demo, senão mesmo uns ignorantes que só vemos o que mais ninguém vê. E custa muito ser cego de um deles, ainda que no meio de quem não vê bem dos dois.

Mas nem por isso devemos deixar de os tratar por Vexas sempre que temos de lhes dirigir umas palavrinhas, mesmo que isso não tenha nada a ver com questões de visão mais ou menos acentuadas, ou de boas ou más liberdades de relacionamento ou abusos dessas mesmas liberdades.

Gente educada não trata ninguém por tu, pois isso poderia parecer que queremos estar no mesmo nível das excelências a quem nos dirigimos. Por você, só os outros é que nos podem tratar, já que nós teremos que tratar por Vexas a todas aquelas pessoas que nos olham de esguelha ou de cima para baixo, nem que seja num qualquer balcão de atendimento.

É por estas e por outras que ando muito confuso e então resolvi dirigir-me a Vexa, personalidade do momento, homem esclarecido, que diz o que pensa, que não pensa no que diz, sobretudo no que já disse, repetido e perseguido nos media vinte e quatro horas por dia, enigma e esperança de um povo à rasquinha.

Ouso perguntar a Vexa se está disposto a salvar o país salvando-se a si próprio. Estou a ouvir muito mal, mas depreendo que está dizer que não lhe compete salvar nada nem ninguém, pois isso compete ao maior incompetente da história do país. É evidente que, saliento, por isso mesmo, também não me compete salvar-me a mim próprio.

Volto a ousar perguntar a Vexa, se gostaria de abraçar o poder ainda este ano. Continuo a ouvir mal, mas com um pouco de boa vontade lá vou percebendo que o seu compromisso com os amigos é em dois mil e onze. Percebo também que este é o ano em que o maior incompetente do mundo vai dar o trambolhão.

Insisto em ousar perguntar a Vexa quais são os seus planos para vencer a crise. Mas que raio de ruído este que não me deixa ouvir a voz segura e serena do meu interlocutor. Sim, mais ou menos entendi que não lhe compete ter planos. Isso compete ao incompetente criador da crise mundial que, antes de dar o trambolhão, tem obrigação de deixar lá os planos para eu os aplicar.

Mais uma vez ouso perguntar a Vexa, se vai dialogar com o maior incompetente do planeta, depois do trambolhão. Ah, agora estou a ouvir melhorzinho. Exactamente, vai dialogar se ele garantir que não quer conversa com Vexa. Sim, perfeitamente, o que eu quis dizer foi, depois do trambolhão dele e não de Vexa, claro, obviamente.

Finalmente, ouso colocar uma questão de muito fundo, para que Vexa esclareça o mundo inteiro. Quando Vexa diz que vai tomar uma decisão estratégica, Vexa está a pensar nas eleições directas do seu partido em dois mil e doze? Sim, estou a ouvir a resposta. Pergunta-me Vexa se eu acho que Vexa é totó? Obviamente? Percebi perfeitamente.

Obviamente que não quis interferir na tua entrevista porque sou bem-educado, mas deu-me vontade de te dizer alto e bom som, que já estou farto de aturar a tua conversa, pá.