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afonsonunes

afonsonunes

13 Out, 2010

Malandrice!...

Por vezes tenho a sensação de que anda por aí gente que gosta de meter uns fantasmas na comunidade, não sei se para ter assunto de conversas de comadres e compadres, se para se elevar à categoria de protector dos valores morais de uma qualquer parcela da sociedade que não consegue sair à rua sem vestir o mais puro branco fantasmagórico.

Para essa gente, as suas conversas andam sempre à volta de um personagem que é vítima das coisas mais horrorosas, só porque foi apanhada em qualquer coisinha sem importância. De tal forma que essa coisinha se transforma sempre numa perseguição diabólica, sempre com um pano de fundo que se chama perseguição política.

Os próprios autores dessas coisinhas sem importância, arranjam quem lhes pegue pela coisinha e a transporte com todo o dramatismo de um crime de lesa pátria, para o seu círculo de divulgação e propaganda que, condenando a suposta perseguição política, acabam por estar a fazer a mais pura intriga política.

Toda a coisa política tem a sua coisinha como apêndice, daí que quem vai por aí, se preste a intervenções de molde a serem também uns apêndices de quem não sendo político, se sente bem no papel de ajudante de campo que abastece as hostes da contra política, já que não consegue chegar à verdadeira política do contra.

Política do contra que é tão nobre como a outra, a sua contrária, isto para não ter que dizer política do favor. Em boa verdade, bem analisadas as coisas desde lá do fundo, ambas essas políticas primam pelo favor, o favor do frete que faz quem anda a roçar-se a qualquer delas, para seu gozo pessoal, ou para satisfação de vaidades diversas.

Voltando aos desgraçadinhos da perseguição, o problema deles é terem muito azar, pois no meio de tanto malvado que até devia ser perseguido por lei, logo se viu pegado, só porque perdeu aquilo a que deixou de ter direito, ou não ganhou aquilo que não merecia, em favor de quem fez jus a merecê-lo.

São coisas que acontecem muito a quem não quer dobrar a mola como deve ser, acabando por se sentir sempre ultrapassado por quem não passa a vida a ver fantasmas que deixa para quem os adora. Mas os fantasmas têm o mau feitio de não castigar quem trabalha e, ainda por cima, de não premiar aqueles que, se trabalham, trabalham a meio gás.

Já agora, permito-me apresentar três excepções, onde realmente a perseguição política é indesmentível. Está provado que no Metro do Sul do Tejo só são multados os borlistas que usam uma gravatinha cor de… Está também provado que no ensino público só é mandado para casa quem quer lá passar a vida na frescura da bolsa e a comer na cantina com cartão cor de… Está ainda provado que os gestores das empresas com cartão cor de… estão permanentemente a ser perseguidos politicamente.

Tenho cá uma ligeira impressão que estas actividades de perseguidos políticos e seus defensores até ao limite, ainda não estão suficientemente esclarecidas no manual do cidadão. É verdade que também ainda não existe manual do cidadão, mas devia haver. Porque todos os cidadãos têm alguma coisa a ver com o assunto.    

Assim, temos o cidadão perseguido politicamente, temos os seus defensores, que são cidadãos dos melhores, temos os cidadãos perseguidores e temos os cidadãos que não têm nada a ver com aqueles, mas passam por ser cidadãos sabujos que beneficiam sempre de alguma perseguição feita aos outros.

Mas há uma coisa que as duas primeiras espécies de cidadãos ainda não descobriram. Quando qualquer cidadão se sente perseguido à margem da lei, tem os tribunais para fazer valer os seus direitos. É para isso que existem leis, advogados, juízes, réus, queixosos, condenados e absolvidos. Não sei como é que ainda há quem não percebeu isso.

Chego ao fim desta croniqueta e ainda não percebi a razão de a intitular de ‘Malandrice!...’