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afonsonunes

afonsonunes

26 Set, 2008

Ele há coisas

 

 
Tem andado por aí muita gente a cuspir para o ar. Ora, quando a gente cospe para o ar arrisca-se a que esteja a cuspir na sua própria cara, pois o vento nem sempre está do nosso lado, nem tão pouco está disposto a tolerar que despejem nas suas asas as parvoíces que pretendem ver espalhadas aos quatro ventos.
É o caso daqueles que pretenderam que o vento espalhasse a ideia de que o governo era o grande culpado da crise dos combustíveis, exigindo medidas, muitas medidas, para que o preço do litro pusesse a zero o preço do quilómetro, pois era inadmissível que os aumentos se verificassem ao ritmo de quase um por dia.
Pois bem, ao contrário, agora, as descidas têm acontecido também a um ritmo muito acentuado. Por uma questão de coerência, está na altura desses recalcitrantes agradecerem ao governo as boas notícias das reduções dos preços do gasóleo e da gasolina, pois não se compreende que o governo tenha responsabilidade nas subidas e não tenha nada a ver com as descidas. Vá lá, não inventem desculpas.
É também o caso da crise económica e financeira que tanto tem sido motivo de comparação com a vizinha Espanha que, ainda não há muito, em lugar de défice nas contas públicas, como era o nosso caso, apresentava um saldo amplamente positivo. A tão propalada almofada, sobre a qual muitos queriam dormir a sesta. Pois bem, não só a Espanha, mas também a França e a Alemanha, para não citar outros países, estão agora com performances piores que a nossa.
Dizia-se que nós, pobretes e já nem sequer alegretes, não conseguíamos imitá-los nesta fugida da crise, devido a incompetências que eles atiram sempre para o lado, mas não olham para si próprios. Afinal, foram aqueles paises que não conseguiram, pelo menos para já, imitar-nos, a nós, nesta tentativa de passar um pouco ao lado do epicentro do terramoto mundial que está a sacudir a economia global. É caso para dizer, vá lá, não inventem culpados.
É ainda o caso de outras medidas tão gozadas quando da sua apresentação e nos tempos imediatamente a seguir à sua implementação, para depois se irem calando à medida que ficava a nu a ignorância ou a má fé de quem só vê desgraças no chão que pisa. Nada neste mundo é perfeito, mas não há nada mais imperfeito que o mau feitio de quem deseja que tudo corra mal só para poder ter o prazer de dizer que há muito sabia que ia ser assim.
Vá lá, digam à gente o que é que já fizeram para que o mundo se transforme no paraíso que tanto apregoam. Será que nunca nos vão dizer qual o caminho para lá chegar?
Era tão simples, não era?