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afonsonunes

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Calma aí, recomendo muita calma para que não haja precipitações que podem causar muitos e irreparáveis danos nos espíritos mais vulneráveis. Por isso, aviso solenemente que não quero o meu partido, nem por nada deste mundo. Pelo simples motivo de que o meu só tem valor se estiver inteiro, intacto e nunca amputado, retalhado ou, repito, partido.

Muito menos quero que se pense que sou algum adepto de sistemas políticos ou ideologias que, no meio do palavreado incongruente, possa criar confusões indesejáveis a que sou totalmente avesso. Porque o meu, por mais que o partam, vai continuar sempre a ser meu e a proclamar alto e bom som que o não quero mesmo partido.

Não critico quem não abdica de ter o seu partido, mais ou menos partido, mais bocado menos bocado, desde que aceite o direito de quem quer ter o seu inteiro. Que é o meu caso. Quero o meu inteiro porque tenho a sensação de que, se o tiver partido, nunca mais serei o mesmo, porque sempre me faltará qualquer coisa.

Qualquer coisa que me faz falta, mesmo que outros pensem que o que lhes falta é precisamente tirarem partido da teimosia de quem o quer todo para si, pensando que esse egoísmo a dar ares de selvagem, é inteiramente coerente com um sentimento de posse de algo que nas mãos dos outros não nos serve de nada.

No ar anda uma convicção, da qual não tenho a verdadeira dimensão, de que o próprio país está todo partido e, por mais que se refile, vão continuar a partir tudo à nossa volta, como se todo o cidadão estivesse impregnado de uma obsessão destruidora de escaqueirar tudo, só para dizer e mostrar que o bom é tê-lo partido.    

Agora, anda para aí tudo interessado em partir pedra, com aquela convicção de uns, de que o melhor é encerrar já as pedras com muita lata, enquanto outros querem é as pedras na luta, para que tudo fique ainda mais partido. Na verdade tem havido mais lata que luta mas, como ainda não está tudo partido, as coisas vão alterar-se muito.

Estou absolutamente convencido que, tal como eu, ninguém quer o seu partido, pela simples razão de que alguém vai ficar com a parte que lhe tiraram. Quem tem o seu salário alguma vez aceitará de bom grado que ele seja partido? Mas, de mau grado não vai ter outro remédio senão remediar-se com o que lhe deixam.

Sobretudo, para quem o tem muito pequenino, será sempre um trauma enorme, ver ainda voar um bocadinho dele. É caso para perguntar o que pode ele fazer com o que lhe deixam? Como se esse bocadinho partido, servisse ao menos de consolo a quem o tem muito maior e permitem que fique com ele intacto.

Não quero o meu partido nem por nada. Ou o tenho inteiro ou levem-no todo, porque com dois bocados, um para mim outro para eles, nem eu faço nada, nem eles se satisfazem o suficiente. Mas depois não digam que diminui a natalidade enquanto cresce a insatisfação feminina.

Felizes são todos aqueles e aquelas que conseguiram descobrir um bom partido, onde tudo é bem repartido, o que lhes permitiu ultrapassar as dificuldades que nos estão a ser criadas por quem nos anda a partir o juízo com absurdas birras e teimosias de partidos.