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afonsonunes

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Avenidas, ruas, ruelas e becos, alguns sem saída, são grandes e pequenas vias que, todas juntas, constituem a grande cidade da blogosfera, cidade onde a gente encontra postes de todos os feitios e de todos os tamanhos. Não é possível dizer que os maiores são os melhores, nem que os mais curtos são de qualidade superior ou inferior, sem que nos detenhamos atentamente sobre o seu material.

Não é tarefa fácil fazer isso com aquela certeza de que não estamos a mandar palpites baseados apenas no aspecto da madeira, ou das misturas de que são feitos esses postes. Sim, porque madeira é pau, e dos de misturas nem vale a pena falar. Mas, dos de pau feitos, há muita coisa para dizer, se lhes tirarmos o retrato de alto a baixo.

O conteúdo de um poste passa necessariamente pelos conteúdos dos materiais que nele se apoiam, normalmente fios condutores de qualquer coisa. Se o poste não tem nada sobre ele, então isso não é um poste, é um pau, ou uma estaca que, quando muito, só serviu para prender o burro. Mas isso era antigamente.

Hoje, até já vemos certos burros a passear de automóvel logo, não precisam de postes para se prenderem. Precisam, sim, de colunas nos parques de estacionamento para lhe encostarem o carro e as ideias, porque há quem diga que uma coluna também é um poste. Só que não é feita de madeira, quero dizer, de pau.

Por vezes fico estarrecido por ver postes tão pequenos que só dá para a gente ver umas tantas estrelinhas ao olhá-los. O normal, seria ver uma carrada de estrelas ao esticar o pescoço por cima deles, principalmente, se tivessem uma boa frase publicitária colada ou pregada no pau mais ou menos duro como quem a pregou.

Não é raro levarmos com certos postes em cima, os quais nos deixam a ver estrelinhas, mesmo que fechemos os olhos, tal é a violência do impacto que um madeiro daqueles provoca numa cabecinha distraída. Claro que este mundo não está para gente que não vê onde põe os olhos, apesar de que nem tudo é mau.

Porque, até a levar na cabeça se vai aprendendo qualquer coisa. Por exemplo, que é de boa prática, quando passeamos por certos locais onde há postes, colocar o capacete de protecção. Nem sempre é muito cómodo, mas há postes que até são capazes de partir o mais sofisticado capacete ou enrolar qualquer um nos cabos que o poste suporta.

Não se deve tomar este tom catastrófico como um apelo a fugir de todos os postes, pois eu até confesso que adoro bons postes. Muitas vezes, cansado, olho à minha volta e não é difícil escolher um, com bom aspecto, limpo, bem tratado, onde me vou encostar, onde descanso o olhar, respiro fundo, por vezes sorrio e sinto-me bem ali.

Recomposto, sigo o meu caminho, até encontrar outro que me delicie por mais um espaço de tempo, maior ou menor, conforme a altura do poste onde me recolho e me encosto mais uns minutos. A propósito, não gosto daqueles postes que já vi momentos antes noutra rua. Parecem-me postes copiados, por vezes com defeitos, tanto no original como na cópia.

E então, quando deparo com um poste cheio de bolor, meio encardido, com muitas ervas daninhas à volta, é sinal de que por ali passam poucas pessoas, ou as que passam, não se importam com a falta de asseio. Não sei porquê, mas logo me vem à ideia aquele jeito do animal que, junto aos postes, costuma alçar a perninha.    

Para mim, um bom poste tem de estar na perfeita posição vertical, não pode ter quinas ou arestas que me arranhem, nem coisas coladas ou pregadas que digam o que não é para ali chamado. Qualquer bom poste tem de me atrair e não empurrar-me para o lado ou para trás, como se estivesse a avisar-me que ia precipitar-se no chão.

É evidente que são poucos os postes nessas condições de insegurança, ou até de higiene. São muito mais os que me enchem de gozo e me permitem um encosto diário repousante.