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afonsonunes

afonsonunes

17 Out, 2010

Bom sono a todos

Uf!... Finalmente, muita gente pôde dormir descansado depois de tantas noites em claro à espera que saísse o tal de orçamento, coisa a que chamam de instrumento indispensável para a governação do país. Bom, que eu saiba há muitos e bons instrumentistas no país, mas não será certamente a tocar este instrumento que tanto nos tem preocupado ultimamente.

Não sei, não, mas pelo que oiço dizer, se já não temos governação há muito tempo, apesar de haver um orçamento aprovado o ano passado, então talvez as coisas não estivessem assim, se não tivessem aprovado esse que agora está em execução. Não é difícil concluir que os instrumentos, caso do orçamento, só se tocam quando convém.

Também não compreendo o porquê de tantas críticas ao governo por parte de quem ajudou a aprovar um orçamento que, dizem agora, foi um desastre, ainda que possam desculpar-se com o argumento de que foi mal executado. A verdade é que, se não o tivessem aprovado, também não podia ser mal executado.

Portanto, vamos lá ter tento na língua quando fazem as suas críticas, porque cada um deve assumir as suas próprias responsabilidades. Se um governo é mau e está em funções, é porque a oposição é muito pior, visto que não teve coragem, ou teve medo de tentar substitui-lo. Ou será que tudo só é mau depois de saírem os resultados?

Eu diria mesmo que a oposição nunca se sentiu capaz para fazer melhor, ou nunca se convenceu que o voto lhe entregasse o poder. Sim, porque isto não é só dizer que eles não prestam. É preciso convencer quem manda, o povo, de quem é que presta menos. E, dizem, por vezes com muita hipocrisia, que o povo nunca se engana.

Se no ano passado foi assim, espera-se que no ano corrente, se tenha aprendido alguma coisa. Suponho que toda a gente tenha ideias claras do que quer, e de como vai conseguir implantar essas ideias. Senão, lá teremos novamente a sempre renovada falta de ideias, ou seja, um nunca acabar de idiotas a mandar palpites, que nunca dão em nada.

Se calhar é porque passam muitas noites sem dormir à espera que o ministro se deite depois do orçamento nascer. Ora o problema é que o ministro só se deita depois do nascimento do fruto do seu trabalho, enquanto os críticos não dormem enquanto não tiverem aquilo que já garantiram que chumbam, ou já estão fartos de criticar o fantasma do orçamento.

Deduz-se das declarações da oposição, que querem apenas constatar que o orçamento contém aquilo que eles não queriam que lá estivesse sem, contudo, terem dito aquilo que gostariam que dele constasse. Chama-se a isto a política do acerto garantido. Se o governo arrisca previsões, e tem de arriscar, porque não faz o mesmo a oposição?

Realmente, não há dúvida de que o país precisa urgentemente de mudar de política. Desta política do sono em que temos vivido, para a política da insónia, em que ninguém ande a dormir na forma porque, marcar passo com sono, é muito pior que trocar o passo a todo o momento.

Depois, esse constante trocar do passo, faz com que se atropelem uns aos outros, como se marchassem de olhos fechados, precisamente, para não verem as botas da frente onde tropeçam, com um ou outro espalho frequente.

Daqui concluo que o melhor seria pôr tudo a dormir durante uns tempos. Mas, nada de pressas em os acordar porque, senão, acordam estremunhados e isso seria pior que o deus me livre. Devem dormir mesmo, a sono solto, até fartar.

Mas, se calhar, o país não precisa apenas de mudar de política. Precisa também de mudar de governo e mudar de oposição. Porque se, com estes todos não fomos nem vamos a lado nenhum, que se apresente essa nova geração de sucesso, que anda lá por fora a ensinar os mais sabidos que estes de cá, a tratarem bem da sua vidinha.

Suponho que esta seria a melhor política a seguir nesta emergência. Só assim se rompe definitivamente com a evidente soneira que nos domina. É preciso um acordar novo, com os olhos bem abertos e os pés ligeiros para ver bem e fugir depressa do que não presta.

Se não houver alternativa de jeito feche-se o país, nem que seja para uma sesta reparadora. Bom sono a todos.