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afonsonunes

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É uma discussão que merece toda a atenção, é inevitável mesmo, uma vez que é um artigo de primeira necessidade para quem o usa. E a discussão tem de fazer-se indiscutivelmente à volta de quanto custa cada rolinho, agora, e quanto virá a custar daqui a uns mesitos, depois da revolução intestina que já está a causar muita diarreia.

Como em tudo, há rolinhos para todos os preços, embora a taxa seja igual para todos. Uma injustiça do caraças, pois eu ainda admito que os rolos mais caros, que são para coisa e tal mais delicados, tenham a taxa máxima. Agora, já não compreendo que um rolinho barato, mesmo baratinho, para coisa e tal menos exigentes, não esteja isento.

Mas, vá lá, cedendo um bocadinho, para não complicar intransigências e negociações de surdos, admito que haja um conjunto de taxas variáveis com o tamanho, a cor e o preço do rolo de papel higiénico. Isto para já não falar na, perdão, no coisa e tal de cada um, para facilitar também um entendimento negocial de capital importância.

Todos sabemos que o papel higiénico tem uma relação muito próxima com os desarranjos intestinais, e estes desarranjos têm uma relação perigosa com a saúde pública. Relacionando estes factores debilitantes da sociedade, conclui-se que qualquer agravamento do custo do papel higiénico vai de imediato reduzir drasticamente o seu uso.

É sabido que quem não pode comprar bifes, come sopa. Ora a sopa é um excelente contributo para o vazamento intestinal logo, um verdadeiro estimulante do uso e abuso do papel higiénico. Pelo contrário, o aumento de preço do papel higiénico, via taxa, reduz a sua utilização. Estamos, pois, perante uma clara contradição, um abominável ciclo vicioso que é inevitável corrigir.

Não compreendo mesmo como esta correcção não aparece em nenhuma lista de imposições de qualquer das partes. Não é difícil compreender que o papel higiénico é muito mais importante que o chocolate com leite, ou o leite com chocolate que, tenho as minhas dúvidas, se não contribuirá também para o tal vazamento, que leva ao consumo de milhentas folhas do dito, ou seja um ror de rolos.

A verificar-se o aumento da taxa do tal papel, o país entrará em colapso higiénico, porque serão milhões que não o vão utilizar correctamente, ou não vão simplesmente usá-lo. O resultado será um pestilento cheiro por todo o país e a queda vertiginosa em tudo quanto é produção, incluindo a queda do próprio governo que dizem que nada produz.

Mas não é tudo. A própria oposição também cairá. Em primeiro lugar, porque sem governo não se precisa de oposição, uma vez que ela só existe para controlar o governo. Não me digam que ela vai para o governo, pois aí deixa de ser oposição. Em segundo lugar, porque os narizes dos da oposição, não têm filtros especiais para o cheirete que ataca os do governo logo, também vão deixar de produzir.

É realmente uma situação muito complicada. Como é fácil admitir, o papel higiénico está à beira de obrigar o FMI a vir de imediato resolver este imbróglio que está a sufocar o país. Uma vez que não há consenso de utilizadores do papel higiénico quanto à taxa justa, apoio a ideia de que o FMI seja bem-vindo, com a condição de que não possam tapar os narizes enquanto cá estiverem.

Não seria justo que nós, os donos do cheirete, o guardássemos exclusivamente para nós.