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afonsonunes

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24 Out, 2010

A primeira CONVERSA

Há uma certa tendência para se dizer que a primeira é sempre a melhor, mas primeiro importa saber do que se trata realmente nessa primeira. Também há quem diga que à primeira dói, mas que depois já não querem outra coisa. Se for a primeira piela, naturalmente que essa ressaca é sempre dolorosa.

Mas, como diz o título, aqui, vou tratar apenas de uma conversa. Quando digo apenas, não significa que se trata de mais uma daquelas conversas de perna cruzada no café da esquina, entre mim, que não sei nada, e outro igual a mim. Nada disso. Trata-se de uma CONVERSA a sério entre gente muito séria.

Uma CONVERSA que bem merece letras gordas, ou não estivesse o país pendurado para saber que raio de coisas tão importantes para os portugueses, se vão tratar entre meia dúzia de conversadores que, bem o espero eu e muitos e muitas mais, saibam respeitar a nossa preciosa língua, não saindo dos limites do dicionário.

A ordem de trabalhos dessa CONVERSA parece-me muito redutora e restrita, ao indicar como ponto único, CONVERSAR SOBRE TUDO. Depois, nos conversadores, há dois de primeira, e mais uns tantos que, ou muito me engano, ou vão servir apenas para emitir aqueles sonoros apoiados que servirão como uma espécie de incentivo de claques aos seus craques.  

A mim até me parece bem, porque se as claques se metem muito na CONVERSA, está tudo estragado, porque são daqueles que gostam muito de nos mostrar como se deve estar calado, falando demais. Parece complicado mas não é, para quem está habituado a ouvi-los, se não tiver ‘córagem’ suficiente para desligar no botão.

Mas, no fundo, lá muito no fundo, prá aí à décima CONVERSA, vamos ter fumo branco que, ao que dizem os entendidos mais entendidos, digo eu, sempre é menos poluente que o fumo negro que, só por ser negro, já me deixa a espirrar por todos os lados. A avaliar pela cor dos cabelos dos dois maiorais, ambos devem gostar mais do branco, se não tiverem negro noutros lados, que pode ser o caso das ideias.

Parece-me que já estou a descambar para a especulação, coisa que detesto veementemente nos outros.  É este tipo de conversa banal, usada por gente banal como eu, que estraga o íntimo dos políticos que, não sendo banais nas conversas normais, se deixam influenciar por nós, não raras vezes caindo na situação de que alguém os veja como bananais.

Voltemos à primeira CONVERSA, que é essa que está na ordem do dia e na ordem de trabalhos, senão ainda acabamos por nos esquecer dela e da sua importância. A esta hora já deve ter sido elaborada a acta respectiva que, logicamente, deverá ter o número um. Mais um sinal de que esta CONVERSA é mesmo única. Vejamos então o projecto de acta que dela saiu.

Aos vinte e três dias do mês de Outubro de dois mil e dez, mais coisa menos coisa, pelas quinze horas, (local, participantes, etc.) realizou-se a conversa acordada uns dias antes. Como constava na ordem de trabalhos, conversou-se sobre tudo, mas não se decidiu nada. Nomeadamente, sobre o caso Branquinho que, apesar da recusa de uma das partes em o discutir, a outra parte discutiu-o mesmo. Ficou marcada a segunda conversa para local, data e hora a combinar pelas direcções gerais das conversas importantes. E não havendo mais assuntos a tratar, encerrou-se a conversa, elaborando-se a presente acta que, depois de lida, vai ser assinada por todos os presentes.

Ainda antes de terminar a CONVERSA, consegui apurar que uma das partes declarou de imediato que não vai assinar a acta, por causa do tal caso. E mais, se a outra parte persistir em mencioná-lo na acta, não haverá mais conversa nenhuma. Ora toma lá, para que se saiba que este, não é como os outros casos.

PS: Acabei de ouvir agorinha na televisão que, afinal, hoje, domingo, vai haver nova conversa, esta já com minúsculas, pois só a primeira era de interesse excepcional. Não posso confirmar se a acta ficou assim, ou assado. Estou a ficar farto de conversas e até da própria CONVERSA.