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afonsonunes

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Nunca imaginei que o espírito inventivo se desenvolvesse tanto em tão pouco tempo e conseguisse o milagre de eliminar barreiras tão difíceis, como o são todas aquelas que separam os homens das mulheres. E não são apenas aquelas que dizem respeito ao vício do cigarro ou do cachimbo.

Cito apenas esta, para já porque, ao que me parece, alguém se lembrou que as mulheres não fumam cachimbo e vai daí começou a bombardear a cabeça com hipóteses de introduzir esse utensílio de fumo nos hábitos femininos, ainda que com utilização bem diferente daquela que lhe dão os fumadores masculinos.

Então, o investigador começou por fazer um estudo profundo do esboço físico do objecto, com aquele depósito largo e redondo, a cabeça, numa das extremidades, e aquele género de tubo curvo de alambique, destinado a vazar a aguardente no recipiente. E achou que se tratava de algo muito interessante para que valesse a pena investigar.

O homem, ao fumar cachimbo, absorve o fumo do tubo que vem da cabeça, onde o tabaco vai ardendo em combustão lenta, fumo que vai em direcção à boca do fumador. Pode dizer-se que, em termos de alambique, o circuito está igualmente definido, pois mantendo a cabeça cheia de produto, o bagaço, a aguardente sai pelo tubo em direcção ao exterior, caindo no recipiente.

Se a mulher não gosta de meter o cachimbo na boca, talvez o pudesse meter em qualquer outro sítio, de modo o dar mais um passo na aproximação ao tão desejado objectivo de igualdade de oportunidades e de hábitos. Se o homem ainda não aderiu ao uso da mini saia, a mulher há muito tempo que usa calças de ganga.

Foi aqui que o investigador soltou um ah revelador de descoberta luminosa. Pois é, a mulher usa calças compridas mas, para fazer chichi, tem de baixá-las e sentar-se, senão fica numa posição muito incómoda. Ora o homem, faz isso de pé com toda a naturalidade. Foi exactamente aqui que o investigador estalou os dedos e pensou muito alto: já descobri!

E lá veio a ideia do cachimbo e do alambique. Se o cachimbo fizer como o alambique, destilando na cabeça e enviando o líquido para o recipiente, a mulher pode perfeitamente dar uso ao cachimbo colocando-o dentro da portinhola das calças e vazar pelo tubo, em qualquer urinol e, comodamente, de pé.

Esta ideia original foi minha, porque eu sempre fui um tanto idiota. Mas, porque ela vai revolucionar a vida de muitas mulheres, alguém, lá de fora, da estranja, onde sou muito conhecido, bem como as minhas ideias, tratou de a surripiar, dando-lhe um ar mais prático e mais barato, coisas em que eu não tinha pensado.

Foi assim que surgiu um utensílio de plástico, ao que dizem muito simples, prático e giro, que permite que o chichi das mulheres já tenha o mesmo tratamento e o mesmo circuito do dos homens. Acho muito bem e, por isso, já perdoei ao seu inventor, a maldade que me pregou, porque sou sempre, sempre, a bem da igualdade e do progresso.

Já estou mesmo a ouvir aquelas vozes sempre muito pudicas, dizendo que isso é uma estupidez. Ai não é, não. Imagine-se, no futuro, o dinheirão que se poupa nos sanitários públicos comuns a homens e a mulheres. Isto para já não falar da discriminação que vai pelo esgoto abaixo.  

Outras vozes se levantarão quanto à oportunidade deste tema. Pois, bem sei que hoje só se devia falar das caturrices de homens e mulheres que inutilizaram um orçamento por se terem dignado fazer uma ‘chichizada’ em cima dele. Só não sei se o fizeram todos ao mesmo tempo, ou se utilizaram mictórios diferentes.

Sim, porque estou convencido que os objectos de plástico ainda cá não chegaram. E, já agora, hoje queriam que eu falasse de quê?