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afonsonunes

afonsonunes

30 Out, 2010

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 As previsões para o dia de hoje, sábado, penúltimo dia do mês de Outubro, véspera de mudança da hora sem que se vislumbrem no país outras mudanças que nós, os residentes, como os ansiosos financeiros da estranja, tanto desesperam por ver concluída esta sorte macaca de que nós sairemos mal e eles sairão a rir.

Evidentemente que estas não são as previsões dos serviços de Protecção Civil que preferem ignorar essas coisas tristes, para se entregarem aos caprichos dos alertas, no caso de hoje, um amarelo para toda a gente do continente. Mas, cá para mim, o alerta laranja teria muito mais sentido na conjuntura. Já bem nos bastam os sorrisos amarelos que não nos largam um minutinho sequer, quando bem podiam ser mais alaranjados.

Convém não associar estes alertas amarelos ou laranjas a outros alertas, aparentemente, sem qualquer tonalidade, vulgo recados, oriundos de um local bem definido em Belém, alertas esses, que terão salvado ‘muitos cidadãos e suas famílias’, de se verem numa situação muito pior do que aquela de que Deus nos livre.

Tudo por causa de depressões múltiplas com origens muito diversas. As da chuva que se lançam sobre nós, provêm do Atlântico e põem ‘muitos cidadãos e suas famílias’ a meter água até às orelhas. Coisa que não nos devia causar grandes admirações, pois isso é o que andamos a fazer, com toda a sapiência e competência, há uma penosa eternidade.

Talvez por causa dessa habituação, que já é mais que um vício, todas as depressões causadas pelos caudais do cacau, têm origem nas fontes que ainda nos vão abrindo as comportas, enviando sempre umas mensagens em que nos ameaçam de sede letal e, ao mesmo tempo, do aumento dos algarismos da factura.

Começo a pensar que estes malabarismos vindos da estranja, têm tido cá dentro uns habilidosos que estão felizes por estarem a contribuir para que os seus companheiros, que se mudaram lá para fora, regressem brevemente, para resolver isso à sua maneira. Tudo porque gostam e desejam que o poder lhes caia na mão, sem que nada façam para o ganhar.

Até já pensei que um desses, agora tão reclamado para vir cá resolver isto, é um potencial, ou mesmo o mais provável sucessor daquele que tem estado a armar toda esta tramóia do diz que faz, mas que acaba sempre por nem dizer, nem fazer nada de concreto. Há quem chame a isto, uma táctica inteligente.

É verdade que vejo e oiço muita gente inteligente que tende mais para a esperteza. Isto não quer dizer que os inteligentes tenham de ser pouco espertos. Aliás, não me custa nada enviar os meus respeitos a toda a comunidade inteligente e as minhas felicitações aos que conseguem ser espertos neste país de natureza um pouco dura.

Já me tinha esquecido completamente de que hoje é realmente dia de alerta amarelo geral. Mas, acima de tudo, é o dia do fim do alerta laranja, do alerta do alarido, também ele geral, e cheio de incidentes mais vermelhos nos efeitos, que laranja nos benefícios. Já me tinha constado que todas as tontices têm um fim. E, seguramente, não agradam a ‘muitos cidadãos e suas famílias’.

Tontices que têm um fim e um preço, mas isso, a eles, não importa nada, porque não são eles que vão pagar a factura. Certamente que serão sempre os habituais ‘muitos cidadãos e suas famílias’. Já ouvi dizer que a metade que se vai poupar mais tarde, já foi gasta agora com a encenação que durou mais que as tais pilhas da eternidade. Sinceramente, não faço ideia do que querem dizer com este enigma.

No entanto, hoje, ‘muitos cidadãos e suas famílias’, bem como os ansiosos da estranja, viram levantados todos os alertas. Mas, que ninguém tenha dúvidas, novas superfícies frontais se aproximam, mais alertas amarelos e laranjas vão surgir, quiçá algum vermelho, para desassossego ou comemoração de ’muitos cidadãos e suas famílias’.