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afonsonunes

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01 Nov, 2010

A estátua, já!

Afinal sou como os outros que tanto critico, por atirarem coisas cá para fora sem terem a garantia de que possuem, no mínimo, um fundo de verdade. No entanto, anda aqui qualquer coisa às voltas dentro de mim que, se não a deito cá para fora, rebento mesmo, temendo ficar sem conserto. Uma pena, evidentemente.

Ora sendo assim, o melhor é desopilar, e já, antes que seja tarde. Li em qualquer lado, a memória atraiçoa-me sempre que lhe peço ajuda, que um ‘very vip’ só estava à espera que lhe fizessem uma estátua, para mudar de vida. Não gosto nada de dizer, seja a quem for, que está na hora de dar o fora.

Por mais que tente, não consigo recordar o nome dessa ilustre personalidade. Mas recordo-me perfeitamente que é mesmo um craque nas notícias diárias, com ligações muito fortes ao mundo animal, talvez ao mundo cão que, se bem me recordo, lhe dão uma prestimosa protecção contra o inimigo de Lisboa. Não, não consigo recordar mais nada.

Mas, o mais importante da notícia era exactamente a construção da estátua. Afinal, é muito fácil a alguém satisfazer esse sonho, a um homem que a merece a duzentos por cento. Até porque ele não exige tamanho mínimo para ela, ou lugar especial para a colocar, o que facilita extraordinariamente a concessão de tão sonhado e importante desejo.

É claro que também não se pode estar a pensar numa estatueta, senão ainda alguém ia exigir à Academia USA, um óscar para o melhor presidente do século. Tão pouco se pode arrumar o assunto com uma estatueta de madeira, ainda que seja de pau à maneira, pois o laureado sentir-se-ia pequeno demais para tanta obra feita.

Mas, caramba, o nome é que me anda debaixo da língua, como se realmente fosse tão pequeno que se afogasse debaixo da saliva. Já pensei em várias personalidades, numa tentativa de chegar lá, por exclusão de partes. O pior é que consigo excluir toda a gente, menos aquele que me parece que é.

Já admiti que fosse o nosso Sócrates, dada a circunstância de se considerar que é melhor ele ir andando, deixando a estátua para depois, com a certeza de que ela será uma realidade, mais tarde ou mais cedo. Mas, depois pensei que ele prefere, de longe, ter mais um mês de governo, que uma estátua em quinze dias.  

Para o nosso Sócrates, era muito mais importante que se fizesse uma estátua a quem conseguir provar a primeira das muitas tramóias de que o acusam. Mais, ainda segundo ele, devia sair também uma estátua para o melhor, ou maior, criador do insulto mais decente de entre todos os que já lhe dedicaram. 

Depois, virei-me para o nosso Passos, o coelhinho que se transformou em mascote nacional, o homem que pôs o país a sonhar, havendo até quem tenha misturado sonhos com pesadelos pela sua causa. Porém, houve logo quem dissesse que o seu tom de voz habitual, não condizia com a imagem de uma estátua normal.

Aliás, seria um contra senso, ele, o nosso Passos, aceitar a estátua para ir andando, quando ainda nem sequer chegou. Por vezes o meu raciocínio é lento demais. Mas, também pode ser rápido demais, se atender ao facto da estátua poder ser atribuída pela sua ida antecipada para as reservas morais do partido. Não, nem pensar.

Mais um esforço mental e aí estou eu perante o nosso Aníbal, o homem do conhecimento e da obra, o honorário trabalhador incansável não sindicalizado, o grande protector de todos os cidadãos e suas, não, não é isso que queria dizer, mas sim o homem que talvez aceitasse a estátua. Porém, para ir andando, é que não tem o mínimo sentido estratégico. Ele sente que os portugueses nunca o deixariam ir.

Ora, se não era nenhum destes três o visado na notícia da estátua, certamente que estarão a pensar de mim, umas coisinhas que eu cá sei. Mas, juro que não inventei nada e que li mesmo essa notícia. Alto e pára o baile. Se não era ninguém da política, só podia ser alguém da bola. Bolas, custou mas cheguei lá. Afinal a minha memória ainda não está assim tão, tão.  

Ai, ninguém sabe de quem se trata? Façam como eu. Puxem, vá, puxem mais um bocadinho. Não é qualquer um que pede uma estátua. Ir andando é que não é nada fácil.

 

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