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afonsonunes

afonsonunes

02 Nov, 2010

O nosso PSD

 

Ninguém duvida que o nosso PSD é um grande partido, sobretudo porque prega grandes partidas aos portugueses, mesmo àqueles que detestam que se diga o nosso. Mas, realmente ele é muito grande, principalmente, se o analisarmos apenas sob o aspecto de movimentações bancárias cá dentro e lá fora, por gente que sempre andou nele muito por dentro.

Nesse aspecto de partidas que ele nos tem pregado por intermédio dos seus pares, parece-me importante fazer uma espécie de comparação com outros que, não saindo há muitos anos das bocas do mundo, estão longe de provocar os rombos catastróficos que a justiça vai anunciando, alguns já completamente provados e julgados.

Uma coisa é o que anda nas bocas do mundo, sobretudo no mundo da maledicência e da partidarite baixa, doentia e interesseira, outra bem diferente é a realidade dos factos sistematicamente silenciados, abafados ou ignorados, em que é evidente a má fé e o intuito de ludibriar a opinião pública. Onde prolifera um estilo de linguagem que se tornou imagem de marca do PSD, à base de frases de qualidade especial rasteira.

É sabido que na política nada nem ninguém está inocente. O passado e o presente provam isso mesmo à evidência. Nem os mais pequenos partidos escapam à constatação de que nem eles são perfeitos, apesar de andarem muito longe da roda do poder. Mas, há sempre as cunhas, as influências, as amizades que, não sendo de grande monta, também doem no país.

Os dois maiores, os da área do poder, PS e PSD, onde esporadicamente aparece o CDS, mas com força competitiva, os grandes negócios e as grandes influências dão mesmo cabo de qualquer orçamento, quaisquer que sejam as boas intenções de qualquer deles, antes de os aprovarem ou rejeitarem.   

O que me parece evidente é a contabilidade das burlas que recaíram sobre o estado, diga-se, contribuintes. Do lado do PS fala-se em muitas coisas, em muitos processos mas, verbas retiradas do estado, ou condenações por burlas, não estou a ver grande coisa. Conheço muitas intenções, muitas acusações frustradas. Só porque alguém fala em alguém, porque alguém é investigado, sem nada de grave se ter provado, já há criminosos, gatunos, etc.

Do lado do PSD, temos os heróis dos milhões do BPN e da SLN, que até pareciam instituições privativas do partido, os condenados da ex-vereação da CML, o condenado presidente de Oeiras e tantos outros, que são pessoas sérias de que não se ouve uma palavra de censura sequer. Costuma dizer-se que quem tem amigos destes, não precisa de ter inimigos. Se as pessoas sérias se dão bem com toda esta seriedade, então estamos conversados.

Depois, é o PSD que arma em campeão da luta contra a corrupção. Só se for contra a corrupção da conversa. Por que da outra, a séria, a que faz buracos no nosso bolso, melhor seria que tivessem cuidado com os telhados de vidro e fizessem uma campanha interna para ver se melhoravam a situação.

Nada tenho a ver com estes do PSD, nem com aqueles do PS. Mas não gosto de ficar a meio caminho entre a verdade e a mentira, fazendo de conta que não é nada comigo. Tudo o que se passa neste atoleiro, tem que ver com toda a gente, especialmente, com todos aqueles que contribuíram, contribuem, ou fecham os olhos para não verem aquilo que detestam, ou não querem que se acabe de vez.

 Considero ridícula a ideia, mais uma, do líder do PSD, segundo a qual o seu partido não tem nada a ver com a situação actual do país. Pura hipocrisia e impura demagogia, porque não há cá ninguém que não tenha, muito ou pouco, a ver com isto. O tão conhecido monstro vem do cavaquismo. O guterrismo desertou porque não quis atolar-se no pântano onde já imperava o monstro, e não havia maioria suficiente para o abater. O barrosismo, já com maioria partilhada, não viu soluções e desertou também. O santanismo, pobre dele, mal nasceu, nem chegou a crescer.

Depois de algum vento de recuperação, veio a crise, a tal que levou trinta milhões de empregos no mundo e levou a quase totalidade dos países da EU ao défice excessivo. Apesar disso, por cá, continuou a boa vida, ou a vida boa, como se queira, de que ninguém esteve disposto a abdicar, como ainda agora muitos não estão. Portanto, continuam a divertir-se atirando pedras uns aos outros, convencidos que elas só partem as cabeças de uns, os maus. Mas, os bons, não vão ter a salvação eterna.    

Quando os bons do presente tomarem posse do pântano, não venham com cara de anjinhos dizer que têm de nos lixar ainda mais, porque não sabiam a herança que lhes deixaram. Se não sabem o que vão receber e não sabem como pagar os calotes, não a aceitem, até terem tudo bem estudado. Até lá, deixem tudo como está, para terem pedras para atirar. Senão, não tardará que lhes partam também as suas próprias cabeças.

Depois, tudo isto é a nossa antiga sina. E também a sina do nosso PSD.

 

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