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afonsonunes

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Isto é assim mesmo quando se encontram dois filósofos frente a frente, numa tribuna que de um lado tinha muito de romana, enquanto do outro havia a inspiração da minha prima Ana, que é portuguesa, madrasta da filosofia serrana, com o seu indesmentível sorriso de magana e o ar agreste de quem a ninguém engana.

Era indispensável que não faltasse a rima poética, neste interessante debate, onde também era previsível que houvesse um orçamento mas, com tanta filosofia e tanta poesia, nada mais lá cabia. Isto é, o orçamento ficou para o ano que vem, até porque me pareceu que ele não vai fazer falta a ninguém. Ora bem.

Isto é, como desde há milhentos anos que ele, o tal de orçamento, nunca é cumprido, não faz falta nenhuma, nem a quem se dá à trabalheira de o fazer e de o apresentar, nem a quem tanto se esforça por ver se o consegue substituir por outro que não tem, contentando-se com meter uns pontos e vírgulas no meio da conversa da discussão do dito.

Isto é, a intervenção do Augusto comparada com a do Maçudo é como a diferença do dia para a noite. Isto é, a filosofia de mãos dadas com a poesia, contra a filosofia aos pontapés nas calças na mão. Isto é, um poema de alguém que anda com as calças na mão, contra alguém que só dá duas, porque nunca dará uma terceira, ainda que sejam oportunidades.

Isto é, segundo o meu desenvolvido entendimento, ficou-me a certeza de que o Augusto, no seu filosofar meio romano, tratou de, poeticamente, retomar a sua velha, mas profícua, tendência para malhar, malhar, não só à direita, como tanto gostava de fazer no passado, mas também agora à esquerda, para não dizerem que ele se repete monotonamente.

Isto é, malhar, malhar, malhar, foi também o que não deixou de fazer o Maçudo, este num filosofar mais boçal e serrano, como diria a tal dura minha prima Ana, um tanto à bruta, isto é, sem um rasgo de meiguice poética, nem um alento de ternura romântica, já que não sabe ou não pode competir com a doçura romana.

Isto é, no meu desenvolvido critério, sempre é mais bonito o estilo do Augusto, porque no meio daquela seriedade toda, sempre se foram ouvindo umas gargalhadas que outros trocaram por uns abanões de cabeças, com os rostos muito sisudos. Isto é, vê-se mesmo que aqueles não percebem nada da arte da dicção e representação, enquanto estes, lá bem no fundo das suas mentes, transformavam a comédia em drama.

Isto é, nem uns nem outros perceberam que mais vale um Augusto com ou sem razão, mas cheio de serena e poética paixão, que um Maçudo com muita ou pouca razão, mas que na sua exaltação fonética da frase, se arrisca à distracção de ficar com as calças fora da mão. Isto é bem elucidativo do que é discutir o orçamento da nação.

Isto é, pois, isto é, no discurso do Augusto, foi a chave da ‘malhação’.