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afonsonunes

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Eu diria que nem com uma boa lambreta lá vamos, quanto mais a dar à perna, com passos maiores ou menores, ou não se tivesse já chegado à conclusão que hoje já ninguém está para romper as solas dos sapatos, até porque a própria sola já não se usa. Nem propriamente nas botas-de-elástico, muito recordadas e saudosas para quem ainda não as descalçou.

Portanto, mais vale nem sequer pensar em passos, coisa do passado, em que não havia tanta gente com passes sociais, tantos meios de transporte público onde ninguém paga, porque também ninguém trabalha, mesmo os que fazem o frete de andar neles oito horas por dia a olhar para o relógio.

Mas é que nem me falem em passos, numa altura em que já toda a gente anda com os pés no ar, dentro dos seus carros, muitos deles autênticas bombas, já que o crédito bancário é muito mais fácil para coisas que se vejam, em contradição com a aquisição de quase tudo o que realmente faz falta. É por isso que cresce o número de pessoas que dão como perdidos os passos inúteis.

No meio desta divagação ocorreu-me o nome do Pedrinho, sem perceber bem a que propósito, uma vez que estava apenas a pensar em passos, como referi, mais ou menos inúteis. Talvez porque eu próprio, volta não volta, lá vou dando também os meus passos em falso. Mas não sou o único.

Estas conversas são como as cerejas. Falando de passos em falso, logo me vem à ideia que quem os dá, tem de ser responsabilizado. Há quem fale em responsabilidade civil e criminal, mas a minha pessoa não percebe nada dessas responsabilidades logo, fica na dúvida, se o que querem dizer é que tudo devia ir para a choldra, ou libertar os que já lá estão.

No meu entender, deviam dar-se passos noutro sentido bem diferente. Devia ser-se inflexível com o apuramento de responsabilidades verbais. Sim, porque andam por aí, em certas bocas com línguas compridas, uns verbos que ferem de modo irreversível os ouvidos de gente que até precisa de os ter bem apuradinhos.

Ora, atendendo a que há actos dolosos ao privar essa gente das suas faculdades naturais e normais, tem de se falar em crime logo, não pode deixar de se assacarem responsabilidades civis e criminais, resultantes da prática sistemática de infracções no campo das responsabilidades verbais.

Em consequência de tais práticas, nada mais aconselhável que seguir a jurisprudência, também ela verbal, de que alguns deveriam ir todos presos, vulgo, para a choldra, defendida exactamente pela mesma gente que defende agora a responsabilização civil e criminal dos seus colegas de profissão, deixando sem castigo a responsabilidade verbal, além da natural e real co-responsabilização.

Mas, pior que estas, é a verborreia que já nem responsabilidade tem, dados os passos que percorre todos os dias por esse país todo. Aqui, volto a lembrar-me do Pedrinho e, vá lá saber-se porquê, agora até me ocorreu que ao Pedrinho, já se vai juntando o seu padrinho, embora eu não possa falar de associação com fins lucrativos. Mas há quem fale.

Pedrinho e seu padrinho, se fecharem, como tudo indica, um acordo total, bem podem garantir o sucesso de ambos para a eternidade, pois tudo indica que a concorrência vai toda para a choldra a passos largos, por muitos e bons anos. Para não chatear.

Já dizem por aí que o estado social já vai indo. Sabe-se lá para onde. Como as línguas venenosas não cabem todas no mesmo albergue, é natural que se vá substituindo esse estado social, por um estado prisional muito alargado. Porque a ideia agrada a muita gente, os passos parecem ir nesse sentido.      

Porém, tenho uma sugestão muito interessante a apresentar. O estado, mesmo o prisional, não tem instalações para tanta clientela. Então, sugiro de boa fé, que todos os quartéis-generais partidários disponham e disponibilizem, salas destinadas a celas para os incumpridores condenados. É uma questão de proximidade que muito eleva o moral dos interessados.

Depois não digam que neste país ninguém tem ideias. Ideias há, é preciso, é urgente e é necessário, que passos sejam dados no sentido de pôr o país em sentido e, tanto quanto possível na choldra. Com esses passos vamos lá com certeza.