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afonsonunes

afonsonunes

08 Nov, 2010

Ena tantos!...

 

Com que então estavam à espera de cento e cinquenta mil no Marquês de Pombal. Certamente que estavam a contar que o Benfica ganhasse ao Porto e fossem festejar para ali. Só que se esqueceram que o joguito não era nesse dia e o Benfica nem sempre está para aí voltado. Além de que nem sempre o deixam estar voltado para onde quer.

A verdade é que o cálculo não é o forte de muitos calculadores, quanto ao número de manifestantes que vão para as ruas. Acho mesmo que eles só têm a virtude de serem sempre muito optimistas e isso é um sinal positivo. Esperar, vem de esperança, e esta é sempre a última coisa a morrer. Só espero que não se reformem tão cedo, estes calculadores de meia tigela, por causa das cotas sindicais que pagam tudo..

Segundo um americano e seus alunos da Universidade Nova, não foram contados os esperados cento e cinquenta mil manifestantes, nem sequer os cem mil anunciados pelos sindicatos e publicados na comunicação social em grandes parangonas. A coisa terá ficado numa cifra umas milésimas mais reduzida.

Os estudos dessa equipa foram cuidadosamente planeados e executados de acordo com métodos diversificados, abrangendo fotografias tiradas de planos superiores, contagens directas por sectores e ainda através de imagens do Google Earth. Os resultados foram surpreendentes e demonstram bem a parvoíce que reina em certas figuras do meio.

Nem os esperados, nem os divulgados cem mil, mas, imagine-se, oito a dez mil manifestantes, não assistindo aos discursos finais, mais que cinco mil pessoas. É caso para dizer que não foram 150, nem 100, mas, no máximo 10. Milhares como é óbvio. Não fosse o rigor com que tudo isto foi explicado, eu diria que estavam a brincar com a gente.

Agora, depreendo que quem tem andado sempre a brincar com toda a gente deste país são esses sindicalistas que não passam de trapaceiros, em todos os números que dão das greves e das manifestações, que vão ao desplante de dizer que as greves não se fazem contra o governo, ou que os números que dão lhes são dados pela polícia. Ora a polícia garante que não divulga os seus números.

Depois, todas as mentiras que dizem esses trapaceiros, aparecem com grande destaque na comunicação social, que faz fé em tudo o que lhe põem na frente. Daí se deduz que nela já não há jornalistas que vejam com os seus olhos, que oiçam com os seus ouvidos, ou que pensem e calculem pela sua cabeça. Em lugar deles, devem andar uns tarefeiros a quem pagam pouco, para verem muito menos ou, fecharem os olhos, os ouvidos e a mente, a tudo o que não interessar e, estamos fartos de ver, é muito mais do que se imagina.

Esta crise que nos atormenta, vai revelando minuto a minuto, crises e mais crises que se amontoam umas nas outras, que nos cercam, nos envolvem, como se a salvação do país tivesse de passar pelo arrasar de tudo o que existe, para que tudo o que vier tenha de ser novo.

Porém, já estou preparado para ter muito cuidado com tudo o que parece novo por fora mas é velho, bolorento de velho, por dentro. Tal como sei que nem tudo o que reluz é oiro, também sei que é preciso saber distinguir o oito do oitenta. Ensinaram-me isso logo de pequenino.

Aliás, entre o oito e o oitenta vai, grosso modo, a mesma proporção de dez para cem, logo, dos dez mil, para os cem mil. Já não é a mesma coisa se a proporção for de oito para cem. É obra. Como palpite, é uma cegueira, como informação, é uma fraude, como acto político, é uma vigarice. A tudo isto já estamos habituados.