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afonsonunes

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Já estou farto de ouvir dizer o contrário, a propósito de tudo e de nada, como se na vida da gente, a coisa se resolvesse com a outra coisa a clamar que era a mesma, ou a lamentar-se que não era a mesma. A verdade é que sendo a mesma, ou não sendo a mesma coisa, há sempre alguma coisa que não deixa de chagar os nossos ouvidos.

Estamos realmente numa era em que a coisa já foi muito melhor, principalmente, para todos aqueles que, e são muitos, não podem sequer imaginar que há qualquer coisa que já não é a mesma, daqueles tempos em que a coisa lhes corria às mil maravilhas, sem que tivessem de mostrar que tinham de fazer qualquer coisa.

Por causa disso, toca de querer dar a volta à coisa, através da criação de bodes expiatórios, dizendo que são gente má, mesmo da pior espécie, responsável pelas modernices calamitosas, com a esperança de que o tempo volte para trás e anule aquela volta à coisa, servindo de esponja apagadora de todas as coisas que lhes servem de estorvos e desmancha-prazeres.

O que mais me surpreende é que todas as coisas que eles querem de volta, são coisas que já só existem nas suas imaginações murchas, onde não deixam de ver as mesmas coisas de sempre que, curiosamente, nunca tiveram nada a ver com os outros mas, apenas e simplesmente, com os seus próprios interesses e egoísmos.

Daí que apregoem aos quatro ventos que a coisa não vai lá com os outros, mas apenas com eles próprios a fazer coisas que nunca souberam fazer e nunca terão o mais pequeno rasgo de génio para que a coisa lhes corra menos mal sequer. Com eles colocados lá no sítio que tanto desejam, nunca veríamos outra coisa que pudéssemos dizer que não era a mesma.

Na melhor das hipóteses, depois da troca, não iríamos além de constatar que era a mesma coisa porque, para pior, já nos basta esta coisa que todos eles nos arranjaram, sem que nós tivéssemos encomendado coisa alguma. Mas, quem está a pagar, e vai continuar a pagar, essa coisa que não encomendamos, somos nós, os protectores deles.

A única coisa que tenho como certa, é que também eu sou protector deles, porque não tenho coragem de, no momento próprio, fazer de uma cruz, a coisa que contribua para lhes tirar a coisa de vez, embora isso só pudesse acontecer se houvesse mais uns milhões a fazer a mesma coisa que eu. Ora isso é que é uma coisa muito difícil, porque há protectores que nunca souberam ser mais que protegidos.

Não me venham pois dizer que, se coisa e tal, não era a mesma coisa, só porque a coisa, neste momento, não está lá grande coisa, nem para uns, nem para os outros. Ora deixem-se disso pois, mais coisa menos coisa, o que interessa a todos, é serem mesmo os donos da coisa, ainda que ela, a coisa, esteja estragada, podre ou mal cheirosa.

Portanto, isto, esta coisa do poder é, e será sempre a mesma coisa. Com uns ou com outros, digam lá o que disserem, não tenho dúvidas, era a mesma coisa.