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afonsonunes

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Este título é muito enganador. Parecem três mas são apenas dois, uma vez que o carvalho existe, tanto no cabo como no sargento, embora o do cabo tenha tendência para se lhe pendurar na língua, enquanto o do sargento se mantém mais recatado, a coberto da farda, em lugar um pouco mais abaixo do umbigo.

O cabo também tem um no mesmo sítio do sargento, só que gosta especialmente de lembrar a este, que um mau cabo pode ter um bom carvalho. E vai daí manda-o para lá. Não tem mal nenhum, pois a todo o momento se ouve alguém a mandar outros para os sítios mais diversos, e daí não vem mal ao mundo.

Mesmo que, eventualmente, se omita uma ou outra letra ao destino, facto que deve ser entendido como uma compreensível ignorância semântica, que não se deve estranhar em meios onde as ignorâncias são tantas que também se manda uma ou outra para o Carvalho ou para a Coina da Tia, quando se é adepto ou adepta de uma certa rotatividade onomástica.  

Este tipo de linguagem nem sequer é exclusivo de cabos e sargentos. Se pensarmos um pouco, não será difícil encontrar ilustres oficiais de todos os ramos, ou modestos soldados de quaisquer artes, todos detentores de grande, médio ou pequeno Carvalho, ou com Coina onde estes encaixavam perfeitamente se os actos fossem tão livres como a linguagem.

Isto, partindo do princípio que não são, pelo menos até surgir a notícia de que os tribunais, chamados a pronunciar-se sobre tão momentoso assunto, considerem que Carvalho e Coina não têm que pensar em preconceitos em tempo de limpar armas. É, segundo qualquer veredicto de qualquer colectivo, uma disciplina como outra qualquer.

Perdão, não é oportuno nem conveniente falar de disciplina em questões verbais, muito menos se elas envolverem a virilidade de qualquer Carvalho ou de qualquer Coina, mesmo amputados de uma simples letrinha que em nada lhes afectaria essas virtualidades. Aliás, as letrinhas nem sempre são pronunciadas logo, nem sempre fazem assim tanta falta em certas palavras que se escrevem pouco, mas se usam muito.

Quando se ouve dizer, com Carvalho, ou, mas que Coina, o sentido voa ao encontro de algo que faz parte da vida, para os mais viris, do dia-a-dia, para os menos, de semana a semana. É melhor não pôr mais na carta, senão pode haver uma ou outra crise de virilidade subjectiva, ainda que verbal ou escrita.

E, na pior das hipóteses, lá terão os senhores juízes das ralações, de perder uma data de meses ou anos, a ralar-se para arranjar uma justificação plausível, com consultas às origens do triste fado que sempre cantou as graças e desgraças do Carvalho e da Coina, os quais sempre gostaram muito de misturar as coisas.    

E, mesmo assim, haverá sempre quem diga que os juízes já não são o que eram. Pudera, eles também têm essas coisas. E não há nada como aquela justiça que vem de gente com consciência tranquila e produz sentenças justas, porque nascem da experiência e do saber que dela emana.

Daí que o nosso cabo Carvalho possa mandar descansar, à vontade, a nossa sargenta Coina, que a ordem de comando, mesmo invertida, não é crime nenhum.  

 

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