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afonsonunes

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Não é fácil ter amigos destes, mas há quem os adore. Sobretudo, porque não lidam com eles senão através do que vêem e ouvem acerca dos seus feitos, mostrando-lhes amizade através de uma solidariedade que é feita de admiração e simpatia pelos estragos que provocam aos seus inimigos comuns.

Tudo em nome de uma paz muito esquisita, que é feita de actos violentos, que eles consideram pacíficos, contra quem identificam como sendo os senhores da guerra. Como se as guerras fossem um produto exclusivo de quem tem armas, e a paz fosse um antídoto que utilizam os guerreiros sem armas de fogo.

Como se uns fossem os guerreiros pacíficos que lutam contra os maus que destroem a vida e o sossego do mundo, e outros fossem os pacíficos guerreiros que lutam contra os que, como eles, são vítimas das guerras e dos distúrbios violentos que provocam entre gente que nada tem a ver com uns nem com outros.

Sim, porque esses violentos pacifistas não atacam nem destroem a riqueza dos senhores da guerra, que essa está bem protegida, mas tão-somente os haveres de gente que os tem junto às ruas onde passam esses pacíficos inocentes, enquanto fazem o contrário daquilo que dizem defender. Logo, a sua guerra, visa apenas mostrar aos guerreiros que também sabem fazer guerra às vítimas de ambos os beligerantes: o povo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

Aliás, há um certo tipo de pacifistas, por sinal autênticos guerreiros na sua oratória normal, que passam a vida a mostrar que a sua paz é a luta, seja lá que luta que for, contra moinhos de vento como D. Quixote, ou contra a cor com que embirraram desde pequeninos. Nem que tenham de fazer simplesmente a sua guerra contra a ordem pública e os poderes instituídos.

Para esses, a desobediência civil é um direito, a paz é a desordem e a anarquia, desde que não lhes toquem na roupa nem no bolso, ignorando sempre as vítimas das brutalidades que vemos a toda a hora. Para eles, quem fica sempre mal na fotografia, são as autoridades que têm por missão defender quem não se pode defender.

E, depois, lá vêm com os estafados argumentos da desproporção de meios e da falta de liberdade para se manifestarem. Ou, mais caricato ainda, como já li num jornal diário, os pacifistas não vieram a Portugal, pois cá já não há nada para destruir. Ao que dizem, já está tudo destruído. Conclui daí o artista da escrita, que é mais uma prova de que somos um país do terceiro mundo. E eu fico a pensar, de que mundo será ele, o artista.

Ainda a este propósito é de realçar a recusa da CGTP em albergar esses beligerantes pacíficos na sua manifestação, precisamente, porque não quis arcar com as consequências de ter entre si, autênticos delinquentes que, em nome da paz, estragam a vida a muita gente, essa sim, pacífica, trabalhadora e ordeira.

Ficaram desiludidos os que já arrebitavam as orelhas em busca de um espectáculo que pudesse levar uns tantos agentes da autoridade para o hospital, umas dezenas de montras estilhaçadas, além de um sem número de vandalizações por toda a baixa da cidade de Lisboa.

Sobretudo, porque teriam muita chacota delirante a dar ênfase aos êxitos das façanhas dos bêbados pacifistas, e da incompetência dos meios de dissuasão e seus mentores. Aí, sim, não faltariam ferroadas nos que não haviam previsto e evitado avultados prejuízos muito bem discriminados. Como não houve nada disso, esta coisa toda foi um fracasso total.    

Infelizmente, alguns dos pacifistas desconhecem que há guerras que são consequência de outras guerras. Há guerras com armas e guerras com mais violência que a gerada pelas armas, especialmente, a guerra dos terrorismos, com a qual esses pacifistas parecem não se preocupar. Se é que não a apoiam intimamente.

A guerra nunca teve apenas um beligerante, e os pacifistas que estão sempre dispostos e alinhados para a luta violenta, mesmo a verbal, nunca conseguiram evitar guerra nenhuma. Daí que sejam mais amigos da guerra que da paz.  

 

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