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afonsonunes

afonsonunes

04 Dez, 2010

Vem cá, Lula, vem!

É uma pena que a partir de trinta e um de Dezembro fique desempregado, embora, certamente, muito bem pago como, aliás, bem merece, ao contrário de tantos calaceiros, bem ou mal conhecidos, que nunca fizeram nada na vida.

É, sobretudo, uma pena que um homem que levantou um país e o colocou entre os maiores do mundo, ao mesmo tempo que nunca esqueceu que esse país estava inundado de pobreza extrema e de crime organizado que explorava essa mesma pobreza, esteja em risco aparente de ir tomar conta dos netos que não sei se tem.

Lula da Silva, Silva como muitos portugueses, corajoso como nenhum dos portugueses do seu nível, não vai certamente calçar as pantufas, nem dedicar-se à pesca ou à caça na Amazónia, porque lhe está na massa do sangue aquele prazer de olhar para os outros e descortinar o que lhes faz falta.

Ainda agora o mostrou na última cimeira da sua carreira presidencial, ao juntar as suas mãos às dos nossos presidente e primeiro-ministro para que, todas juntas, mostrassem o que faz falta ao nosso país.

Gesto que faz contrastar a sua inteligência com a casmurrice que tanto se evidencia por cá todos os dias, como se pretendessem dizer que, se nunca se entenderam os maiorais dos tempos passados, para que haviam estes de se entender agora.  

Assim, o Brasil cresce enquanto Portugal decresce, Lula parte e deixa saudades, enquanto os de cá, parece nunca mais partirem, nem nunca deixarão saudades, mesmo que venham outros ainda piores, como já vem sendo hábito geracional.

Mais que justos, portanto, os muitos e entusiásticos elogios dos nossos representantes nessa cimeira ao senhor Silva brasileiro, mais conhecido por Lula, que se emocionou, como vem sendo hábito, sinal de que tem um coração que palpita e vibra nos momentos próprios.

O nosso país está a ficar inundado de brasileiros e brasileiras, gente que nem sempre seria aquela de que mais necessitamos. Tal como também não necessitaríamos de muitos dos portugueses que por aí vagueiam, fugindo do trabalho como o diabo da cruz.

É evidente que isso acontece em grande parte porque, quem tinha a obrigação de ver essas coisas e arranjar solução para elas, anda distraído a pensar em coisas que não interessam, nem ao Menino Jesus, como diz o povo que não tem por onde se distrair.

Devia causar estranheza que, com tantas presenças em tantas cimeiras por todo o mundo, onde decorreram tantas conversas bilaterais, trilaterais e por aí adiante, com gente da dimensão de Lula da Silva, parece que nunca se aprendeu nada que nos tirasse desta sina.

De nada nos adianta ter-mos tantos Silvas no país, se não temos nenhum como Lula, que também é Silva, mas de outro silvado. Que vai agora ficar a pensar numa transferência, quem sabe, tão sensacional como as dos seus compatriotas futebolistas que, por cá, ganham balúrdios.  

Balúrdios que não aparecem para aquilo que é preciso e urgente. Que alguém permite que esses balúrdios sejam desviados para onde nada tem de retorno, ou acrescentados aos muitos milhões que fazem o super balúrdio das dívidas do país.

Mas, do alto da minha estreita janela de observação, de onde não vejo muitas das misérias que conheço, imagino o bem que seria para o país e para os portugueses, conseguir assegurar a transferência de Lula da Silva para treinar o clube político que é Portugal.

Para que tal fosse possível, até nem me importaria que me aumentassem os impostos mais uma vez. Ao menos, ficaria a pensar que era por uma boa causa.