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afonsonunes

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Anda quase tudo descontrolado à nossa volta e não sei se muitos de nós não o andaremos também, envoltos nesta onda que cresce a cada metro que avança. Talvez por isso, me apetecesse dizer que nunca vi tanta onda gigante, por metro quadrado, como agora.

Ah pois, estou como aquela jornalista (?) da SIC, há uns dias atrás, que também nunca tinha visto tantos veículos todo o terreno, por metro quadrado, num sítio qualquer que já não me lembro. Mas isso não é nada, comparado com as sumidades que se vêem, por milímetro quadrado, na televisão em geral, a botar asneiras por todos os poros.

Mas, Deus me livre de dizer, só por isso, que eles e elas andam descontrolados, longe disso, até porque todos e todas sabem muito bem manter os seus controladores em níveis bastante elevados, de modo a que esteja sempre tudo sob controlo, mesmo que haja o perigo de serem os do lado de cá a perderem isso.

Realmente, são cada vez mais os sinais de que os descontrolados se preparam para descontrolar os que ainda estão convencidos de que se mantêm na linhaça. O exemplo dos dês controladores aéreos espanhóis é bem sintomático de que há umas tantas classes de barrigudos endinheirados que querem mesmo descontrolar. 

Se quem manda nos países e no mundo não arranja maneira de controlar todos os papa-dinheiro, então estamos bem aviados não tarda. Chegou a hora de mostrar a todos aqueles que não olham senão para as suas sedentas barrigas, só porque a sociedade não pode passar sem eles, que eles também não podem passar sem a sociedade.

Sim, porque se eles, todos os descontrolados, pensam que parar o mundo é a chantagem que lhes faz crescer as barrigas, é natural que chegue uma altura em que o mundo parado os obrigue a eles a ficarem parados de vez também. A chantagem da força, seja ela qual for, não pode servir para parar ninguém.

O mesmo se passa com os papa-dinheiro das grandes empresas públicas e privadas que não param de engolir o vil papel, só porque são imprescindíveis para que os lucros não decresçam. É caso para lhes perguntar como era antes deles, ou como será quando eles forem desta para melhor, digo eu.  

Sempre ouvi dizer que não há ninguém imprescindível nem insubstituível, logo que se destrua a cadeia dos que se protegem uns aos outros, para que se desagreguem cada vez mais aqueles que os servem. Como se esses não fossem imprescindíveis, só porque são muito mais facilmente substituíveis.

Se estes tivessem a veleidade de deixar de prestar os seus serviços indispensáveis à sociedade, não faltariam cargas policiais, despedimentos em massa e retaliações de toda a ordem. Aqueles, os que têm os poderes que lhes são dados por terem os bolsos cheios, nada lhes acontece, depois de terem estragado a vida a muita gente que contribuiu, e contribui, para a sua engorda. 

Esta espécie de gente, mais tarde ou mais cedo, terá de ser metida na ordem, talvez por aqueles que hoje são, de certo modo, escravizados por eles, já que não há mais ninguém com coragem e determinação para o fazer, exactamente, porque são elos da mesma cadeia de insubstituíveis e da mesma casta de barrigudos.

No lado contrário da barricada estão os que têm a barriga metida para dentro devido ao desvio sistemático do que nelas devia entrar, que acaba por lhes passar ao lado e vai meter-se nas mais volumosas e confortadas barrigas.      

Controlos, controladores e descontrolados constituem uma relação que o tempo acabará por revelar completamente desajustada à evolução de uma sociedade mais justa e solidária. Por mais que os tortos lhes chamem direitos.