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afonsonunes

afonsonunes

09 Dez, 2010

Seus corruptos!

 

Evidentemente que isto era o que me apetecia gritar bem alto, num local onde estivessem todos aqueles que me infernizam a vida, bem como a milhões de portugueses que, tal como eu, são vítimas dessa praga de sanguessugas que secam as veias do país. Mas, não vale a pena gritar, porque poderes mais altos se levantam.

Fiquei muito surpreendido com as conclusões de um estudo que hoje foi divulgado, exactamente, no dia mundial contra a dita e redita corrupção. Surpreendido porque, por cá, só há um corrupto, na boca de muita gente que, nem por sombras, digo eu, contribui para que ela exista e esteja em fase de crescimento.

Curiosamente, esse estudo aponta para os partidos, repito, os partidos, como fonte de uma boa parte desse veneno que contamina toda a sociedade. No entanto, de todos eles ouvimos largas dissertações de combate sem tréguas e de paladinos de implantação de medidas de que nunca chegamos a ver os resultados.

 A minha maior surpresa vai para o facto de ouvir falar em partidos, no plural, sublinho, pois estava eu convencido de que havia partidos, plural, também, que só estavam embrulhados nesta matéria, porque passam a vida a culpar um deles que, logicamente, pode não ser sempre o mesmo.

Refere o mesmo relatório que outra das fontes venenosas é a assembleia, suponho eu, que na pessoa dos deputados que por lá vivem e convivem. Dou comigo a pensar que, também aqui, é a assembleia toda que está em causa e não os deputados de qualquer um dos partidos ali representados.

É muito curioso, para mim, evidentemente, que todos eles passem a vida lá dentro a lutar, mas a lutar como muita gente não imagina, com vozes arreganhadas, com gestos de virar a cara para o lado e com mimos de fazer inveja a qualquer casal de namorados em fase difícil. Tudo, por causa dela, a maldita corrupção que só poisa nos braços dos outros.

E depois o tal relatório lembra-se da justiça. Pois é. Então eu ia lá pensar que na justiça também havia corrupção? Não, eu não devo estar a ver bem o que é essa coisa da justiça. Será que também por lá se dão e recebem prendas? Só podem ser prendas de baixo valor, porque as de médio e alto, só se forem para os porteiros, por facilitarem a entrada a alguém.

Mas, cá para mim, isso não é corrupção, pois o problema não está na entrada. Toda a gente sabe que as pessoas não vão levar nada aos tribunais. Toda a gente sabe também, que as pessoas vão aos tribunais para trazerem de lá qualquer coisa. Portanto, se há corrupção é à saída, porque as prendas que se trazem de lá, valem muito mais que os presentes que dizem que origina a dita e a maldita.

Há qualquer coisa no tal relatório que não me convence. Ou ele tem muitas omissões, ou então são as citações que, como habitualmente, andam a saltar de linha em linha, à procura de palavras mais bonitas para dizer e passar por cima daquelas que não soam lá muito bem. Já tentei chegar a uma conclusão, mas, nicles.

Segundo ele, o combate à corrupção, é ineficaz por parte dos governos. Como os governos não entram na corrupção, tinham de entrar no combate. Será que os governos sozinhos podem combater a sério, ou têm de a combater a brincar como convém? Por exemplo, como é que o governo português pode combater a corrupção na justiça?

A justiça fez com que o país passasse de 23 para 32 no ranking respectivo. Deve ser engano na colocação dos algarismos. Também deve ser engano que as organizações não governamentais que lidam com a solidariedade também estão a contribuir para esse aumento. Quem os ouve, quem diria.

Agora de espantar, é o caso dos religiosos. São dos menos corruptos até agora. Mas, em contrapartida, são dos que mais aumentaram nessa matéria. E o meu espanto vai, precisamente, para o facto de, cada vez mais, muitos dos religiosos, falarem mais em público sobre política do que sobre religião. Será que a crise nesta é menor que naquela?

Finalmente, no mundo, os mais sensíveis à corrupção são a polícia, a justiça e os registos. Não é difícil ver como é por cá. Petisca-se, bebe-se e come-se muito nos meandros desses meios. Os locais onde se faz isso, podem falar sem se engasgarem. Isto, para além das verbas que andam por baixo da mesa.

É verdade que os governos não fazem tudo o que está ao seu alcance no combate. Mas os combatidos seriam tantos, que o cheiro a podre mataria os restantes.