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afonsonunes

afonsonunes

17 Dez, 2010

Ora ainda bem!

Tive o grato prazer de ouvir representantes do grande e pequeno comércio dizer que as compras de Natal estavam a correr bem ou, pelo menos, melhor do que era de esperar. Certamente que isto já é uma significativa melhoria no que respeita à lamúria que nos persegue desde tempos que já nem me lembro.

É verdade que ninguém passou a viver melhor, como também é verdade que há quem não faça compras de Natal, nem muitas outras, que nem de Natal chegam a ser. Mas também é verdade que não é a lamúria dos coitadinhos, dos miudinhos e dos amigos do choradinho que vai modificar as coisas que, quer se queira quer não, não se resolvem com isso.

Saber-se que os vendedores vendem, é saber-se que os compradores compram. E se há compras é porque ainda não está tudo teso como os tais supracitados querem propalar. Anda por aí muito dinheiro escondido ou à vista, nem sempre das melhores proveniências, ou das melhores opções de vida em sociedade.

Mudando de assunto, ora ainda bem que começamos a ouvir umas vozes que destoam da cantilena que constitui a corrente labiríntica, quase monocórdica, hipócrita e vesga, que quer mesmo que o país se afunde, com o contributo do sentido único dos seus desvarios, sempre sem perder de vista os seus interesses egoístas.

Ora ainda bem que neste período, em que nem todas as bocas se abstêm de se pronunciar, vêm ao de cima os contraditórios de tantos ditos de fanfarrões que nunca fizeram nada pelo país e pelo povo e, despudoradamente, têm feito crer e têm tido amplificadores até dizer chega, para afirmar que foram os maiores, os melhores e os mais sérios do mundo.

Ora ainda bem que a história nunca se fará apenas com os ditos daqueles que a querem escrever com o seu próprio punho, com a sua própria caneta, ou mandá-la escrever aos seus subservientes amigos que são, ao mesmo tempo, aqueles que directa ou indirectamente, ajudaram, se é que não ajudam ainda, a tentar esconder a outra face da verdade.

Além dos ex-ministros, agora muito solicitados para opinar, ainda não esqueci as competências de ex-titulares das finanças, da educação, da economia, do trabalho e outros, que se orgulham da herança que então deixaram. A isto eu chamo a geração heróica, que viu o seu trabalho virtual desbaratado pela actual geração rasca.

Ora ainda bem que há quem veja tudo ao contrário, sinal de que já não somos tanto, como já fomos, mais ou menos um rebanho de carneiros com algumas cabrinhas à mistura, pois não há nada mais saudável do que o cruzar de balidos de vários rebanhos, até para que possamos também largar as nossas próprias baboseiras.

Ora ainda bem que vamos sabendo que há uns sujeitos que atiraram o BPN para as ruas da amargura ao encher os bolsos, que há um caso chamado Gebalis, um caso no Metro do Mondego e no antigo edifício dos Correios de Coimbra. Provavelmente, tudo por culpa de alguém que não é do partido menos corrupto de Portugal, nem do governo deste país de corruptos.

Ora ainda bem que os portugueses estão perfeitamente tranquilos e descansados com a perspectiva de alternativas políticas nas diversas situações que se aproximam, ou que se façam aproximar. O sucesso é o nosso inevitável destino.

Ora ainda bem que o fracasso é um vocábulo que não consta do nosso glorioso passado. A atestá-lo, temos a nova geração ‘nem nem’. Nem trabalho, nem estudo. Porquê? Há quem diga, que são os filhos dos papás que lhes podem sustentar os vícios e os caprichos, sem fazer calos nas mãos.

Ora ainda bem que neste país ainda há muita gente que pode ter uma vida boa, à boa vida. No entanto, parece-me que se queixam pouco.

 

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