Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Pensava eu que nesta época festiva, a família da suinicultura nem devia tão pouco andar nas bocas, nem sequer nos dedos, de quem acredita nas virtualidades do Natal e da solidariedade e respeito que devem merecer todos os seres humanos, sejam eles quais forem, vivam eles onde viverem.

Afinal, também eu não resisto à tentação de sujar o pensamento e as mãos ao mete-los na pocilga onde chafurdam umas tantas mentes degeneradas pelo ódio e pela vingança que nem a presente quadra consegue amenizar. Estranho seria que os porcos e porcas, bem como os seus juniores leitõezinhos, fossem capazes de alguma vez se conterem.

Tinha prometido a mim mesmo estar calado durante esta semana para não incomodar ninguém, mesmo aqueles que o não merecem. Apesar de saber que me estou a emporcalhar com a quebra da minha intenção, sinto que seria pior não limpar a minha consciência, despejando este mal estar que eles me injectam cá dentro.

Pensava eu que no Natal era tempo de bacalhau, onde até as línguas dos ditos se esqueciam durante uns dias, bem como as caras correspondentes, a fim de salientar a tradição das postas, quanto mais altas melhor, acompanhadas das respectivas couves. Depois, com elas, as conversas da família, em jeito de gente boa…

Todavia, também há quem meta nas festividades, o polvo legítimo acompanhado de outras iguarias, em substituição do bacalhau. Mas, o que não se tolera em lares de gente que respeita a tradição são os tentáculos de polvos terrestres que buscam obsessivamente onde fixar, sem qualquer legitimidade, as suas enganadoras ventosas.  

Com papas e bolos se enganam os tolos, embora muita gente que não é tola use e abuse de guloseimas nesta época. Porque festa é festa, mas é uma daquelas festas em que não se dá importância ao porco, tão pouco à porca, a não ser por fornecer o inocente leitãozinho que cabe sempre em qualquer mesa mais abastada.

É por isso que o porco, nem morto, se aceita de bom grado pelo Natal. Tão pouco a porcaria que eles e elas, sem olhar ao nojo que provocam, preferem lançar nos ares, para extasiar os seus apaniguados, que nunca vão conseguir dissociar as festas e as tradições, dos seus lúgubres devaneios e macabras cogitações.

Como para mim e para a grande maioria dos portugueses, o Natal é mesmo tempo de paz e de união entre todos, quero terminar estas linhas com o regresso ao espírito da quadra que atravessamos, fazendo de conta que tudo vai bem à minha volta.

Para todos, pois, felizes festas neste final de ano, bem como votos de um próspero Ano Novo.