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afonsonunes

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28 Dez, 2010

Sujos!... Sujos?...

Sujos!... Sujos?...

A exclamação acima não é minha, mas a interrogação pertence-me por inteiro. E esta só existe porque ouvi falar daquela. É das tais coisas que nos levam a dizer que, palavra puxa palavra e depois, toma que lá vai disto. É assim que nascem muitas das sessões sujas de jogos florais que fazem delirar tanta gente.

Alguém se excitou e ficou com aquela falta de saliva que acontece nos momentos em que era preciso responder a perguntas chatas. É realmente muito embaraçoso que a língua fique seca, quando mais se precisava dela bem molhada, para dar uma ´mangueirada’ de limpeza nos tais sujos que andam a pretender pegar a sujidade a quem se considera um modelo de higiene moral e corporal.

No entanto, para que a mangueira seja eficaz, é preciso que o higiénico tenha uma maior, que a do sujo que ele pretende limpar. Ora, é muito fácil saber o tamanho de uma das mangueiras. Basta ir ao site sobejamente conhecido. O mais difícil é encontrar a medida exacta da mangueira oposta, pois essa não consta mesmo de site nenhum.

Nestas coisas de sujos, os falsos e os verdadeiros, há sempre uma tendência generalizada para, quem está de fora, inalar o perfume que vem dos dois lados. Seria melhor referir os perfumes, pois há que contar com o odor de outro sujo, embora esse bem dissimulado pelo perfume do frasco, normalmente, caro e eficaz.  

Na promiscuidade das sujeiras, lá vamos deparando com os sujos que se confundem com os limpos, pois não é raro depararmos com limpos que não toleram ser considerados sujos mas, na realidade, são os mais sujos, enquanto muitos dos considerados sujos são, afinal, muito mais limpos que os anteriores.

Sim, eu sei que já está tudo isto a cheirar mal e, acima de tudo, numa grande confusão. Porque também eu não consigo fugir ao pivete que vem dos aparelhos audiovisuais que tenho à minha volta e que, umas vezes para bem, outras para mal, me influenciam a linguagem que utilizo e também ponho no ar.

Consequentemente, também eu tenho de me considerar um poluidor, ou seja, um propalador de coisas sujas. Mas, eu sou um minúsculo propalador que está dentro dos valores suportados pelo ambiente, comparado com outros de grandes dimensões que afectam, e de que maneira, o aumento do buraco do ozono, que são os ouvidos de todos os atingidos.    

Além disso, se tenho paciência para ouvir tantas e tão variadas coisas sujas, entendo que também tenho o direito de sujar alguma coisa, nem que seja apenas um bocadinho da biqueira dos sapatos de algum limpinho que, de vez em quando, se esquece de ver se tem mau hálito quando abre a boca.

Ainda que ele pense que foi coisa que nunca teve na vida, nem mesmo de pequenino, quanto mais agora que já pode ter um site onde isso está tudo muito bem explicadinho. É só ir lá e ver. É ele que o diz. Está lá. Claro que alguém estará a pensar que hoje já toda a gente tem um site para dizer o que lhe apetecer, quando e como lhe aprouver.

Ai como me apetecia dar nomes aos sujos e aos limpinhos que ando a ouvir todos os dias… Mas, a mim, até me repugna admitir que os há, para além daquilo que é natural e normal em pessoas que, simplesmente, sujam a roupa que vestem diariamente, depois, também têm de a lavar todos os dias.

É por isso que fico espantado quando oiço alguém dizer, sujos!... Então, logo me interrogo, sujos?... Ai se eles tivessem um espelho na frente…