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afonsonunes

afonsonunes

08 Jan, 2011

Estou sem assunto

 

É verdade que não sei o que dizer no meio deste turbilhão de acontecimentos que todos os dias, para não dizer a todas as horas, me roubam a atenção. Sim, roubam, e bem me parece que já não há ninguém que não tenha sido roubado. Não me serve de consolo, mas confesso que, assim, já não me considero tão anjinho como eu pensava.

Bom, parece que acabo de arranjar assunto para mais umas linhas de encher espaço, assim os pobrezinhos levados para a campanha arranjassem um altruísta que lhes dispensasse uns cobres para enganar o espaço vazio do estômago, cobres esses vindos dos milhões que preencheram o espaço dos bolsos todos, calças, camisa, casaco e talvez mais alguns oclusos no interior recatado.

Ora ainda bem que falo no interior. Não dos bolsos, mas dos ‘campanheiros’ que estão a revelar possuir um interior cheio de vazios. Isto não está a soar lá muito bem, mas não sei como explicar coisas que não me apetece entender, senão ainda pensam de mim o que eu penso deles e dos que os endeusam diabolicamente.

Cá na minha linguagem, ‘campanheiros’, são os companheiros da campanha, numa versão livre do meu pensamento preso a interpretações não alinhadas, mas alinhavadas segundo o correr dos dedos pelas teclas, sem privilegiar nem excluir nenhuma delas porque, felizmente, não sou vesgo nem estrábico, o que me permite visionar o teclado todo de um olhar só.

Este assunto, que me estava a preocupar, ou a falta dele, parece que se resolve com um pouco de campanha, ou não fosse ele, por si só, o tal turbilhão de acontecimentos que dá para tudo. Dá para chorar de tanto riso, com as hilariantes e mirabolantes idas à frente e recuos inesperados, num fartote de obrigar a golpes de rins e outras acrobacias, a quem tem de aturar aquilo sem virar as costas e mandá-los…

Mas, o turbilhão de acontecimentos também passa pela chuva que já está a pôr uma parte do país a nadar no meio da enxurrada, como se todos os portugueses tivessem coletes de salvação eficazes contra a corrente que os empurra seriamente para onde não têm pé. Como se já não bastasse não terem mão no lodo que espalham à sua volta em nome, precisamente, da sua salvação.

Chuva, correntes, lodo, lama, pés a deslizar, mãos a abanar, bocas de arrepiar, mentiras de salvação, ou verdades de nos levar ao fundo, eis o que me faz perder o meu tempo agarrado a tudo o que me fala disso. O problema é que eu já tinha dito quase tudo logo, tenho uma relutância tremenda em andar a repetir-me ou, pior ainda, a trazer para aqui aquilo que já foi dito e redito por outros, ou ainda por tudo quanto é comunicação social.

Novidade, novidade, é o facto de eu já ter, finalmente, descoberto a quem vou entregar o meu voto. Esse problema estava a dar cabo da minha cabeça, porque não havia maneira de encontrar quem o merecesse. Sim, porque não ia votar contrariado, mas também não queria deixar de cumprir um dever cívico essencial em democracia.

Portanto, vou votar no único candidato que não está a enganar-me antecipadamente. E esse candidato, é aquele que diz, com toda a clareza, que sabe que não vai ser eleito. Que não quer dizer que é o D. Sebastião, porque ninguém acreditaria que o fosse. Quem diz duas verdades como estas, nunca estará a mentir em circunstância alguma.

Como não quero participar em fantochadas, contribuindo para eleger o costume, vou votar sem problemas de consciência, ao correr o risco de votar num dos que dizem que vão ser eleitos. Pois que o sejam, mas não com o meu voto, que já está prometido a quem vai continuar a dizer as verdades, mas cá fora.  

Afinal, com tudo isto, lá acabei por arranjar assunto para mais uma. E até nem custou nada.