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afonsonunes

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Houve já uma determinada altura em que se falou muito do partido do táxi. Mas, como em muitas outras coisas, não se aprende nada com os bons exemplos que o tempo nos vai metendo na frente dos olhos.

Ora, se houve um partido que resolvia os seus problemas de mobilidade com um táxi, não compreendo por que razão mudou de sistema operacional, passando a fazer o mesmo que os outros, ou seja, gastar rios de dinheiro, quando um táxi gastava tão pouco.

Mas ainda compreendo menos, porque razão não foram todos os outros partidos a seguir o exemplo do economizador, em lugar de se dar o inverso. Vê-se mesmo que já ninguém tem um pouquinho de bom senso no que toca a economias próprias, quanto mais nas do país.

Felizmente que há sempre uma ou outra excepção, só que ninguém nota, ninguém dá por isso, ou se dá, é para fazer chacota, como se gastar muito, significasse ganhar muito ou ter muitos recursos. Até parece que a gente não sabe como é que eles lidam com os bancos.

Apetece-me realçar, precisamente, essa excepção de homem sério e honrado que só não veio da Madeira de táxi, porque receou afogar-se à vista da praia, principalmente, das pretas areias da sua ilha. Mas, o táxi estava à sua espera em Lisboa.

Havia quem estivesse à espera da carreta. Confesso que lhe acharia mais graça, mas o táxi deve ter prescindido da bandeirada e da taxa subsequente, contentando-se com o gasóleo e a paparoca repartida entre o futuro presidente e o motorista amigo.

Isto é um exemplo de se lhe tirar o chapéu. Quem consegue fazer uma campanha eleitoral nestas condições, bem merecia ganhá-las, pois seria para nós a melhor garantia de que não gastaria milhões, muitos milhões, na vida do dia-a-dia, saídos do défice nacional.

Não tenho dúvidas de que até a corte espanhola passaria a ter motivos para vir cá ver como se poupa quando, até aqui, nunca ninguém se deu ao trabalho de ir lá ver como se não gasta à tripa forra. E ver como não adianta andar por aí alguém armado em poupadinho.

Gostava de ver todos os futuros presidentes, como eles dizem, a fazer as suas campanhas de táxi pois, mesmo que tivessem de pagar bandeirada, quilometragem e ajudas de custo ao motorista, não cairiam no descalabro de dívidas próprias e do país que os sustenta.

Muito menos cairiam na tentação de fazerem autênticos assaltos aos bancos dos amigos que lhes abrem as respectivas portas dos cofres meio vazios pela acção da crise que só dá para cortar a quem já cortou tudo, até o que já não tinha.

Se todos fizessem a campanha de táxi, era uma machadada no desemprego e um alívio para os taxistas contratados que, ao menos, tinham a oportunidade de fazer uma volta a Portugal de pés no ar sem se lembrarem dos aumentos dos combustíveis.

Isto para não falar da experiência única de contactarem com presidentes a sério, que falam sempre a sério, provocando muitos momentos de gargalhada para que os motoristas desopilem da monotonia de tanta seriedade e honestidade deles e de tantos dos que os acompanham.

 O presidente do táxi não é uma utopia, pois pode muito bem vir a ser o verdadeiro presidente de todos os taxistas e, por arrasto, de todos os clientes dos táxis e seus familiares, amigos, inimigos e desconhecidos.

Para tanto, basta que se comprometa a que tudo o que seja negócio presidencial passe exclusivamente pelas mãos do motorista, para que mais ninguém se amanhe nas transacções que andam de mão em mão, como as pombinhas da Catrina. 

 

 

 

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