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afonsonunes

afonsonunes

19 Jan, 2011

Sem rei nem roque

 

É verdade que não temos um rei mas também cá não faz falta nenhuma. Já o mesmo não acontece com o roque, precisamente, porque não temos rei. Temos de ter consciência de que necessitamos de nos valer de alguma coisa, senão ficamos à mercê de uns tiranetes, o Coelho que me desculpe o plágio, que se julgam donos do mundo e arredores.

O roque é aquele ser que deve emergir das sombras quando não temos o substituto do rei, ou seja, no nosso regime, o presidente, que toda a gente julga que serve exactamente para fazer alguma coisa, quando a coisa vai mesmo mal. Também, se não servir para isso, então não serve mesmo para nada, senão para agravar o défice.

Quando não temos presidente nem rei, quando não temos roque nem roca, ficamos à mercê de uns sujeitos que não olham a nada para atacar o que pretendem, seguros de que a impunidade jamais lhes será retirada. Ora essa coisa só pode ser resolvida na justiça que não temos e que, está mais que visto, altos interesses impedem que se tenha.

É muito pior quando a própria justiça demonstra a toda a hora que está bem assim e desunha-se para que lhe não retirem o poder discricionário que detém. O poder de atacar quem a não pode atacar, é o poder de quem quer apenas ter direitos sem ter uma única obrigação. O poder de responsabilizar toda a gente, sem permitir que lhe seja assacada qualquer responsabilidade.

É um facto reconhecido cá dentro e lá fora que a justiça é um cancro que já colocou o país em fase terminal e, ao que parece, prepara-se para assumir o cargo de sacerdote do funeral e, seguidamente, de coveiro nesse cemitério. Só ainda não percebi quais os planos dessa justiça para si própria, depois das exéquias a que presidiu.

Como o féretro ainda não saiu, mas não tarda a sair, continuo de cabeça baixa, em recolhimento profundo, com as imagens dos homens que andam numa maratona diabólica a distribuir planos infalíveis de, como diz a canção, fazer o que ainda não foi feito. Mas, lá vou pensando, porque carga de água ainda não foi feito.

É evidente que alguém tinha a obrigação de já ter acabado com esta pouca vergonha nacional, e só ele pode ser o garante do bom funcionamento das instituições, dadas as limitações de uns e poderes de outros, que os impedem de limpar o problema. Sendo assim, para quê tanta conversa de promessas futuras, esquecendo o passado de interesses e omissões comprometedores que, ao que parece, nem sequer se podem abordar agora na campanha.

Por onde anda e tem andado o substituto do rei e do roque, que não vê os desordeiros que querem bater nos polícias, porque não admitem que são estes, as autoridades de manutenção da ordem. Porque será que não falam claro os candidatos a substitutos do rei e do roque, quando alguém os incita a falar dos problemas crónicos de justiça, de segurança e de ordem pública.

Se há verdades que me têm surpreendido, a maior surgiu com a comparação entre as fraldas dos bebés impregnadas de cocó e os políticos em actividade, deixando-me mesmo a desmaiar com o pivete que imaginei a sair de qualquer deles. Daí o meu grito de revolta, por não compreender a razão porque se não muda a fralda antes do pivete se agravar.

Aliás, parece-me que já não há nada a correr o risco de se agravar, quando já não há rei nem roque, num país onde não deixam mandar quem quer mandar e onde quem devia fazer-se ouvir, anda a prometer mando para daqui a alguns dias. Entretanto, o país segue dentro de momentos no combate à abstenção porque cada voto dá dinheiro.

Exclusivamente por causa disso, abriu uma época especial de caça ao divino voto, esperança de salvação de todos os pecadores, redentor de todas as almas perdidas, recheio de todas as bolsas à beira do vazio.

Mas, que ninguém pense que lá porque dá votos que valem dinheiro a quem os recebe, que vai ter em troca um país com rei, com roque, ou mesmo com presidente.