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afonsonunes

afonsonunes

22 Jan, 2011

3 euros?!...

 

Mais de três euros é, segundo ouvi dizer, quanto vale o voto que cada um dos eleitores vai sepultar na urna aberta, sem cadáver, no dia vinte e três que já está aí à nossa frente. Não sei se é barato ou caro, mas parece-me que, comparado com outros preços da crise, é até bastante elevado.

Se atendermos a que os custos de todo o evento também são por nossa conta, caso do papel, da substituição das urnas corroídas pelo tempo, do pagamento ao pessoal, dos cadernos, das TVs, etc. e tal, lá vai tudo dar à teoria de que o país não suporta, não suporta, não suporta. Portanto, tudo somado, dá um balúrdio de mais de quinze milhões, que só poderá ser compensado pela eleição do candidato que sabe gerir bem as suas contas.

Nestas contas ainda não estão incluídos os agravamentos dos juros da dívida soberana que o mestre de economia já está a lembrar aos seus bons amigos dos mercados, não vão eles esquecer-se de uma parcela tão importante, geradora da principal fonte dos seus lucros. Aos bons amigos dá-se tudo, ainda que se tenha de enterrar vivos, os inimigos de estimação.

Não é por falta de avisos e recados que os portugueses serão enganados, uma vez que está tudo bem claro. Por exemplo, seria um desperdício, estar a depositar três euros numa urna que nos desse de juros, durante cinco anos, uma miséria de uns cento e tal por cento ao ano. Só um ignorante nestas coisas de baixa finança não compreende esta evidência.

Embora a mania das grandezas leve muitos portugueses a considerar que três euros e tal não é dinheiro, não é nada, eu tenho a obrigação de dizer com clareza, que não devemos fazer análises simplistas e evitar ir na onda daqueles que só vêem coisas más. A esses devemos virar-lhes as costas e dizer-lhes que vão à vida, que a nossa está muito, muito difícil.

Portanto, que ninguém pense que isto do dia vinte e três, é chegar ali, à beirinha da urna, e meter lá o cheque de três euros e tal, que não pode ser ao portador nem endossado. Não, pelo contrário, tem de ser um cheque com um nome bem definido, com a foto sem qualquer tremelique, com uma cruz perfeita e, sobretudo, usando uma esferográfica daquela cor vitamínica que toda a gente identifica à légua.

Muita atenção, porque sem estes requisitos, designadamente, ao usar uma esferográfica azul, ainda que seja do Porto, ou vermelha, mesmo que seja do Benfica, os três euros e tal vão para o caraças, ou seja, para mãos sujas que nem a lixívia pura conseguirá limpar. Isto, para lá do mau investimento que representa um empate de capital a baixa remuneração.

Lembro os mais indecisos que, em relação ao valor dos três euros e tal, comparado, por exemplo, com uma sandes de presunto ou um maço de cigarros, o gasto no voto tem muito mais utilidade. Basta lembrar que um voto só se compra de tantos em tantos anos, enquanto um cigarro, só por si, mata, e uma sandes de presunto, além de engordar, só serve para se ter mais fome, logo, mais vontade de comer, logo, mais engorda.

Além disso, ainda estamos a um dia das eleições podendo, portanto, fazer umas poupanças que compensem os três euros e tal. Sugiro, nomeadamente, que não vão a almoços ou jantares de pós campanha, daqueles que têm milhares de convivas. Come-se mal, a fartura não é nenhuma e o ruído é um estraga ouvidos.

Quem não tiver nada que fazer, continue a ouvir os que não têm voz para multidões. Falam baixo, não perdem a esperança de fazer o que fazem os maiores, dão mais valor e agradecem muito mais os três euros e tal, porque são uma preciosa ajuda para quase quinze dias de privações e sacrifícios, com a única compensação de terem sido, nesse período, presidentes como os outros.

Ai tanta fome e tantos ruidosos a escancarar a boca por outras razões, algumas tão inacreditáveis como o currículo que nos quiseram impingir. Tanta miséria para a qual o estado não tem dinheiro e tantos três euros que o estado vai tirar daquelas bocas famintas para os entregar de mão beijada a quem só sabe gastar mal e estragar escandalosamente.

A estes, devia Deus tirar muitas vezes três euros todos os dias, já que ninguém é capaz de o fazer, para os entregar a quem davam muito jeito, nem que fosse apenas uma vez por mês.