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afonsonunes

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26 Jan, 2011

Avenida Cagacão

 

Esta avenida fica na bonita cidade de Castelo Preto que já foi Branco, transformação que se deu devido à grande quantidade de montinhos que se acumulam diariamente nos arruamentos, largos, praças e relvados de toda a urbe. Tal situação deve-se ao facto de ainda ninguém se preocupar com o cumprimento das leis em vigor para a cagação nos locais públicos.

Ninguém, quer dizer mesmo ninguém, mesmo quem gasta muito dinheiro e muito paleio com a propaganda em favor do bom ambiente, do asseio, da saúde e do bem-estar animal. Paleio, propaganda, dinheiro, três coisas que, por todo o país, não passam de desperdícios, pois mais valia estarem todos caladinhos, pelo menos poupavam muito na conversa.

Sim, porque quanto a dinheiro, só se preocupam com o que não recebem, alinhando nas críticas miserabilistas da crise e dos cortes de verbas provenientes do estado. Os gastos supérfluos em coisas que nada resolvem, antes servem para que alguém se amanhe, pois daí nada se corta, nada se evita.

A Avenida Cagacão, em Castelo Preto tem, para mim, o nome alternativo de Sucursal do Canil. Imagine-se que os seus cagadores foram todos retirados da rua para não fazerem aquelas coisas na via pública, nem nos passeios, nem nos jardins, relvados e afins, onde as crianças, especialmente, até se rebolam, convictas de que aquilo está tudo limpinho.

Para isso há muito dinheiro que sai dos bolsos de todos nós, via autarquias, para o Canil reter esses cagadores errantes, de luxo, ou em regime de semi-internato em residências. Em Castelo Preto, na avenida Cagacão, existem alguns que, no Canil, foram seleccionados para passar ao regime de, ora em casa, ora na rua, sem dono, sem trela e sem saco de plástico.

O local de descarga é uma incógnita, mas vai desde as portas dos moradores, a entradas de garagens, aos passeios e à estrada. Tudo pronto a ser levado a reboque dos sapatos ou dos pneus dos carros. Tudo isto é uma dádiva de quem, não sendo cão nem cadela, se julga mais limpo que eles, só porque lhes dão comida e dormida.

Castelo Preto não merece ter um nome assim, a destoar de tudo o que é branco e limpo, nomeadamente, os locais onde caem todos os montinhos tão detestáveis como quem contribui para que os cães sejam aquilo que os donos também são. Porque tão sujo é o que vai para a rua, como quem o põe na rua, por mais ou menos tempo.

Para ver o que estes fazem, ou não fazem, em matéria de higiene pública, há entidades que têm esse dever. O dever de proteger os cidadãos destes inconscientes, alguns, outros, simplesmente, mais porcos que os animais que dizem estimar. E tanto os estimam, que arriscam que eles sejam atropelados na rua por onde erram a cheirar tudo e todos.

Nesta cidade de Castelo Preto há um canil municipal com uma autonomia muito superior à das nossas ilhas. Nem sei como ainda não foi reclamada por estas, a igualdade do seu estatuto autonómico, para evitar que o governo do país esteja sempre a contrariar os governos regionais, coisa que eles consideram uma aberração.

Venham a Castelo Preto e aprendam como funciona a relação entre o governo do canil e o governo autárquico. É uma maravilha. No canil ninguém mete o bedelho. Porque se metesse, havia caganeira e da grossa.

Não admira pois que, na Avenida Cagacão, também dita Sucursal do Canil, há muita cagação à vista. Porque ninguém limpa nem ninguém quer saber disso para nada. E é assim, que o Branco vai dando lugar ao Preto. E é pena porque no resto, tudo está num brinquinho.