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afonsonunes

afonsonunes

03 Fev, 2011

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Miguel Maçudo escreveu uma carta a Quique Assis e Jorge Calão a pedir conversações para reduzir o número de deputados. Não percebi bem na notícia que ouvi não sei onde, a que espécie de deputados se referia. Não me parece sensato da minha parte pensar que se trata de deputados à Assembleia da República.

Então, alguém vai acreditar que Miguel Maçudo queira prescindir de uma parte do seu pessoal só para ganhar umas simpatias por fora? Cheira-me a que arranjaria um monte de trabalhos se fosse o responsável pela ida para o desemprego de uns tantos deputados altamente qualificados, super competentes e ultra bem falantes.

Estou mesmo em crer que Miguel Maçudo estaria a arriscar o seu lugar pois, ao que me consta de fontes fidedignas, ele é eleito pelos seus comparsas. E os que fossem para o desemprego deixariam de votar nele, obviamente, além de que, com o grupo reduzido, passaria a ter muito mais trabalho, caso mandasse embora algum dos que fazem qualquer coisita.

A não ser que, lembrei-me agora, houvesse uma certa relação com os motivos que estão a levar presidentes de câmaras a pedir a suspensão dos mandatos. E aí sim, haveria a conveniência de estar a reunir craques para o próximo e tão badalado governo. Mas será que não os há cá fora, entre os muitos que esperam ansiosamente pela ressurreição do país?

Nesta última hipótese, retirados os craques da Assembleia, ficariam lá os que normalmente não fazem lá falta nenhuma, pois são os que raramente abrem a boca, exceptuando as poucas oportunidades para sair asneira. Poucos mas bons seria o desejável para os quadros daquela casa mas, assim, talvez ainda fossem muitos a fazer cada vez menos.

Ora, em relação à carta de Miguel Maçudo, Quique Assis parece entender que não é o momento próprio para enfrentar esse assunto, depois de Jorge Calão ter mostrado que era mesmo altura de se avançar nesse sentido. Estranhas estas divergências entre a camaradagem que devia primar pela opinião concertada.

O problema é que, enquanto Miguel Maçudo vê o seu governo quase a entrar, Quique Assis vê o seu governo quase a sair. Está bem de ver que, considerando os deputados que teriam de sair pela redução, haveria que contar com os que teriam de sair para dar lugar aos que vinham do governo. Ora isso tudo somado é muito deputado.

Quanto a mim, no meio deste imbróglio de contas, quem tem toda a razão é o ministro Jorge Calão. Em primeiro lugar, deve-se estar marimbando para a eventualidade de deixar de ser ministro, atendendo aos disparates que todos os dias tem de ouvir no seu local de trabalho, apesar de toda a dignidade que o local merece.    

Mas, Jorge Calão tem uma visão de futuro muito lúcida quando vê uma oportunidade de amarrar Miguel Maçudo a uma decisão que, normalmente, devia partir dos seus rivais. Como isso não aconteceu, Calão queria fazer-lhes agora a pirraça de aceitar essa proposta, certo de que nunca mais lhe darão outra oportunidade como esta.

É agora ou nunca. É pegar ou largar. Como já anda no ar o cheirinho a eleições, é de supor que quem pegar ganha muitos votos, quem largar vai rejeitar muitos votos. Isto é mesmo linguagem de partidos para quem o voto é ouro. E é com esse ouro que se ganham mais deputados, para compensar os que forem reduzidos.

É agora ou nunca. Estes partidos nunca mais se convencem de que têm de se tornar inteiros na coerência da defesa do que interessa realmente ao país e aos portugueses. A menos que estejam à espera de resolver os problemas nas ruas. E agora está na moda.