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afonsonunes

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04 Fev, 2011

Problemas de mãos

É com as mãos que as pessoas fazem quase tudo, mesmo aquelas que de vez em quando as substituem pelos pés, quando mesmo as não põem no chão para complementar o esforço das marchas ou correrias, já para não falar nos momentos próprios para levantar os dois pés do chão e lá vai disto.

Mas, é mesmo de pessoas que quero falar e, muito especialmente daquelas pessoas que sabem, ou julgam que sabem, utilizar muito bem a língua para falar das mãos de outras pessoas. Quando tal se nos depara é muito difícil sabermos ao certo onde aquelas pessoas costumam meter as mãos.

Quando lhes dá para as meter nos próprios bolsos a coisa não está má, com a vantagem de não deixarem que outros os invadam por já estarem ocupados. É sabido que os bolsos são assim uma espécie de bancos que, ora metem a mão no bolso dos clientes, ora enchem o bolso dos clientes mais simpáticos.

Principalmente, daqueles que lhes entregam os seus negócios de olhos fechados, isto é, assim uma espécie de toma-o lá, trata-o bem, que eu tiro daí o sentido durante uns anos. Mas é que não quero mesmo saber do que lhe fazeis, na condição de que, no final, no acerto das continhas, eu fique muito satisfeito.

É uma relação muito próxima, essa dos bolsos com os bancos e vice versa, num jogo de mãos que tão depressa andam por cima como por baixo da mesa. É o jogo das mãos que sabem resolver os seus problemas, com bancos ou sem bancos a comandá-las, com bolsos ou sem bolsos onde metê-las.

Outro problema e dos grandes, são todos aqueles que andam de mãos atrás das costas, sinal de que pensam que as mãos não servem para nada. E, realmente, esses gostam mais de trabalhar com a língua, sempre ocupada com a sua doentia preocupação com as posições das mãos dos que lhe fazem comichão no pensamento.

Daí que se tenham lembrado de reinventar aquela máxima, ou mínima, sei lá, de uma mão à frente e outra atrás. Esta é que eu não percebo mesmo. Contudo, tenho sempre esta eterna teimosia de arriscar uma explicação à minha maneira que é, nem mais nem menos, a maneira mais inteligente de lhes fazer concorrência.

Cá para mim, temos aí bons exemplos de quem tem sabido andar com uma das mãos muito à frente das duas que qualquer cidadão português pode colocar na procura de um meio decente de governar a vida. Essa mão providencial, sempre à frente, esteve em vários casos que levaram o país ao estado ruinoso em que se encontra.

E escusam os arautos da teoria da mão à frente e outra atrás, de fugir com o rabo à seringa, que só os cegos destes dois (não digo quais) desconhecerão quais os principais punhos de rendas que nos cortaram as mangas à socapa. São muitos, muitos milhões que passaram por essa mão, por acaso em contra mão.

Essa mão, a da frente, não foi a mão de um só, claro, mas a mão da frente de muitos da vanguarda das nossas elites que estão cheios daquilo que devia estar nos cofres que não são deles. Logo, ao falarem de mãos, deviam fazer uma profunda análise da limpeza da mão que andou nessa roda livre de vigarices.

Mais ainda. Todos esses donos de mãozinhas de ouro deviam ser honestos ao ponto de lhes roer a consciência até devolverem à origem os muitos milhões que de lá saíram de forma fraudulenta. Feio, feio, é andar a vender ilusões em nome de uma esperança que só pode resultar na existência de cada vez mais adeptos das mãos atrás das costas.

O nosso grande problema está nos que põem as mãos onde não devem. Resumindo, nem à frente, nem atrás, mas que as ponham no trabalho. Calos nas mãos podem doer no princípio, mas depois são fontes de saúde.