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afonsonunes

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16 Fev, 2011

Mas que escola

Este país é um manancial de boas lições a todos os níveis, ou não tivéssemos uma escola, tanto inferior como superior, que suplanta tudo o que de pior se faz e se ensina por esse mundo fora. Isto no dizer de especialistas que, por não quererem, ou porque não os querem lá, nunca chegaram a ministros ou ministras da ‘inducação’.

Em muitos casos bem visíveis nos seus aparecimentos públicos, do que se trata realmente é de que eles deviam candidatar-se a dar a disciplina de falta daquela, aos putos que começam a manifestar-se no contra tudo aos cinco seis anos, apesar de, em muitos aspectos, já estarem aptos a ensinar isso e muito mais, aos seus pretensos mestres.

Sobretudo, quando se trata de gerir o dinheiro dos contribuintes, pois já no jardim-de-infância, quando em fila pegavam nos bibes uns dos outros, já discutiam acaloradamente as injustiças relativas no pagamento de impostos dos respectivos papás. Aliás, eles até faziam contas de cabeça ao que o estado lhes retirava, por via dos papás, na compra de maquinetas de dar ao dedo e pastilhas elásticas. 

Porém, o forte dessas crianças de mente adulta é criarem opiniões e pareceres sobre se devem estar no público ou no privado. Se devem ou não aconselhar os papás a pagar propinas no privado, ou se devem deixar de pagar impostos que vão para sustentar o público onde não querem andar, porque isso é só para aprender a ser ‘inguinorantes’.

Já ouvi um puto de cinco anos dizer que isto assim não está ’bué grande coisa’. Simplesmente porque ainda não percebeu se está numa escola pública ou privada. Depois, por causa disso, está farto de ouvir bocas porque há meninos na sua escola que têm berlindes de borla, mas noutra escola não têm nada disso.

Em contrapartida, têm direito a dois chupas por dia, têm matraquilhos do Benfica, do Sporting e do Porto permanentemente à disposição e têm um protocolo com os professores que não deixa que se maltratem mutuamente. Quem infringir o protocolo vai de imediato jogar ao berlinde para a outra escola.

Há uma coisa que é comum às duas escolas. Ninguém paga nada. É por isso que o tal puto que eu ouvi não consegue perceber esta guerra do público e do privado, se tudo é pago pelo mesmo. Disse ele que julgava que o privado não andava às sopas do estado, além de não precisar que o estado andasse a pagar chupas à balda. E acrescentava com ar de ‘gozão’, que qualquer dia passava a exigir um gelado em cada intervalo. Ou há moralidade ou comem todos.

Mas eu fico banzado com alguns putos que se põem a discutir a situação política. Porque aí, eles revelam uma escola que até parece do ensino superior. Quando vêem que há chupas à vista ou gelados a caminho, logo se agitam para se posicionarem em termos de lhes deitarem a mão. Se à volta não se vê nada de jeito, toca a travar ímpetos.

Ora isto é revelador de uma maturidade política notável, coisa que nem os seniores conseguem imaginar com tanta clareza. Mas é que nem os pais, nem os professores, nem tão pouco os donos das escolas, conseguem delinear estratégias tão inteligentes e tão adequadas ao sentido de escola perfeita.

Ainda há quem fale em privatizar tudo. Vá lá, que seja tudo, mas esta escola não. Que mais não seja para que haja aquela diferença importante entre os putos que comem chupas e os que se julgam com direito a gelados. Até já ouvi outro puto a reclamar o direito a uma escola diferente das outras duas.

Aí arrebitei logo as duas orelhas e deitei de imediato o meu palpite. Só podia ser uma escola para candidatos a presidentes de qualquer coisa e governantes indiferenciados. Pública ou privada? Que importa lá isso? De luxo, claro, com tudo à borla, que o estado é magnânimo.

Realmente faz muita falta uma escola para cada lírio.

 

 

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