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afonsonunes

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20 Fev, 2011

'Campanheiros'

Isto é um termo que eu inventei agora mesmo, inspirado pelas sensatas tiradas discursivas de um companheiro que não perde um minuto nas vinte e quatro horas do dia para estar em campanha. Campanha a sério, diga-se, pois há que reconhecer que ele não brinca em serviço, ainda que por vezes me faça rir.

A minha lógica inventora tem a ver com o facto de, penso eu e julgo que bem, quando um companheiro se encontra em campanha é um ‘campanheiro’. Se o homem não tem mais nada que fazer, faz aquilo que lhe agrada e, espero eu, aquilo que lhe interessa, quiçá talvez aquilo que aprendeu a fazer desde pequenino.

Como já ninguém prescinde de uma campanha a seguir a outra campanha, isto só tem seguimento se todos nós dermos uma ajudinha. Que não se pense que estou a falar de campanhas eleitorais que essas têm de ser marcadas previamente por outro campanheiro que não é para aqui chamado agora.

Agora, quando muito, trata-se de campanhas personalizadas, isto é, pessoas em exibição de estilos confrontados com outros estilos. E acho muito bem que se mostrem abertamente, em lugar de andarem por aí a jogar às escondidas, pois já bem basta tudo o que os estilos escondem nestas campanhas de campanheiros.

Agora o que me diverte à brava é a insinuação, a que o grão campanheiro dá o tom de acusação, de que o seu rival não faz nada senão campanha. Para mim isto é o máximo. Então, ainda que ambos fizessem o mesmo, campanha e só campanha, estariam ambos a cometer a mesma asneira ou, pela positiva, estariam ambos a trabalhar como uns moiros.

Para mim, o grão campanheiro devia seguir o exemplo do seu rival. Fazer campanha sim, mas nos momentos de mostrar que está a fazer qualquer coisa de útil ou de inútil para o país. Agora, não fazer rigorosamente nada, campanheiro, nem sequer chega a ser propaganda, quanto mais uma campanha de sermões de venda da banha da cobra.

Eu, que também não sei fazer mais nada que isto, ainda vou tendo umas ideias do caraças, como esta de o aconselhar a fazer alguma coisa ou, se não quiser ir por mim, ao menos que diga o que gostava de fazer. Para mim, já era um bom sinal de que podia ficar à espera embora, cautelosamente, sempre tomaria a precaução de esperar sentado.

Estando, também eu, a fazer campanha neste preciso momento, corro o risco de ser tomado como um campanheiro entre os muitos que berram e barafustam por melhores dias. Não. Não gosto de desperdiçar energias onde se vê de caras que não vale a pena. Prefiro fazer alguma coisa de útil, que mais não seja, para mim próprio.

Sim, porque essa de deitar tudo abaixo com o pretexto de que não podemos baixar os braços, é chão que já deu uvas. Não gosto de braços em baixo, nem de braços muito ao alto. Prefiro ter os braços no sítio certo e esse, é o sítio de fazer qualquer de útil, sabendo que quanto mais contribuir para estragar, mais terei de contribuir para os arranjos.

Tenho cá uma leve sensação de que há por aí quem esteja em pulgas para que os ventos de África cheguem até cá. E já não são só indícios. São mesmo suspiros de campanheiros ansiosos por ver isto ainda pior do que está. Tudo em troca da ilusão de que o tempo volta para trás. Mas isso é apenas uma ilusão.

Os campanheiros que sempre viveram bem deviam pensar mais nos que sempre viveram mal, não se eximindo a dar o seu contributo para que venham dias melhores para todos. Porque isto não é com um clique na política que vai ao sítio. É com gente séria e com o esforço de todos e não apenas dos que não sabem viver de expedientes.

Quanto aos políticos, esses derrotam-se nas urnas, coisa que os campanheiros ignoram a todo o momento.