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afonsonunes

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Pugilismo é uma actividade legal e praticada em todo o mundo com maior ou menor entusiasmo, com maior ou menor grau de profissionalismo, a maior parte das vezes em regime de amadorismo e, frequentemente, naqueles tira teimas em que o toma lá dá cá, provoca uns arranhões e umas nódoas negras.

Já o terrorismo é muito mais complicado que o pugilismo, por não ter adversários concretos com quem se defronte individual ou colectivamente, visando sempre provocar danos, semeando o terror nas suas vítimas indiscriminadas e nas populações traumatizadas e amedrontadas pelo receio permanente do que lhes possa acontecer.

Isto, é pugilismo e terrorismo em termos físicos, onde se usam os punhos, no primeiro, e a mente transviada, no segundo. Mas, foi agora inventado o pugilismo verbal, qualquer coisa de muito esquisita pois, quando muito, poderia chamar-se-lhe ‘linguismo’, uma vez que a linguagem dos punhos, se querem que ela exista, tirem daí a língua.

Já existia o terrorismo verbal, esse sim, com toda a prova existencial, ou não fosse ele um meio de fazer aquela guerra de palavras, sempre suja, com consequências tantas vezes imprevisíveis. Normalmente, praticado por quem não tem melhores argumentos, nem suficientes capacidades para mover os outros para as suas causas.

Daí que o pugilismo verbal seja um exercício entre duas partes com punhos próprios, prontos a acertar nos ouvidos contrários, enquanto os fecha para não serem atingidos pelos punhos do adversário. Até certo ponto, é uma luta leal, dependendo dos socos ou dos murros não serem dirigidos muito para baixo.

Também aqui se aplica o guerreiro ditado de, quem vai à guerra dá e leva. Pugilismo verbal, sim, mas com regras, devendo a língua respeitar os princípios que estão estipulados para os punhos. Depois, quem tem unhas é que toca guitarra, que é como quem diz, quem tem argumentos é que festeja a vitória.

Não pode entrar-se pelo caminho do terrorismo verbal que é, muitas vezes, sabotar tudo o que o adversário diz, sem lhe contrapor argumentos, limitando-se simplesmente a responder aos factos, bons ou maus, com frases bombásticas, cuja finalidade é impressionar quem só perceba de ouvido, sem meter a inteligência no caso.

Para se poder fazer uma escolha consciente, tem de se ter duas hipóteses de escolha bem claras ao dispor. Para haver pugilismo a sério tem de haver dois pugilistas frente a frente, cada qual com dois punhos prontos a defrontarem-se. Se um dos pugilistas se recusa a sê-lo e prefere comportar-se como terrorista verbal, então deixou de haver luta séria e leal.

Quem quer entrar na luta, em qualquer luta, tem de utilizar as mesmas armas do adversário. Não é sério chamar pugilista, a quem se quer defrontar apenas e só, na qualidade de terrorista verbal. Obviamente que fica bem claro que, de comum, apenas possuem ambos o facto de serem verbais. Felizmente, e por enquanto.

Sim, porque, penso eu, é muito preferível termos pugilistas aguerridos e activos nos seus assaltos, nos seus combates, que termos terroristas verbais sem ideias e sem estratégias para vencer, que apenas pretendem que o árbitro dos combates lhe atribua a vitória pelos estragos subterrâneos que causou.

Penso eu também que o país só terá a ganhar se dermos preferência aos pugilistas em detrimento dos terroristas. É óbvio, pelo menos para mim, que passávamos bem sem pugilistas e sem terroristas, ainda que bons especialistas em temas verbais.

Infelizmente, atrás dos profissionais, andam por aí uns aprendizes dessas espécies, que julgam aterrorizar quem lhes não atribui importância nenhuma. Até para se ser amador, tem de se ter um mínimo de bom senso e, sobretudo, de decência.     

Depois, bem vistas as coisas, temos algumas possibilidades de nos defendermos dos pugilistas, mas não temos qualquer hipótese de resistir a um terrorista.