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afonsonunes

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03 Abr, 2011

Roubar e ganhar

Os treinadores de futebol são uns lírios quando se embrenham naquelas filosóficas escapadelas em que botam ‘faladura’ pelos cotovelos embora, em boa verdade, não sejam apenas eles a passear a língua pelos meandros das ideias turvas e dos pensamentos mais que oblíquos.

É natural que todos eles se esganicem em defesa dos interesses de quem lhes paga e da simpatia ou antipatia dos sócios que os tiram de lá, ou os colocam junto da porta do clube, prontinhos a serem empurrados para dentro ou para fora. Por vezes, estas opções variam de um dia para o outro.

Essa variação depende muito do que se ganha ou do que se rouba. Do que alguém, a mando de alguém, tudo faça para que se ganhe roubando, ou se roube não deixando ganhar. É uma discussão que, de tão longa como o decorrer dos tempos, já não conduz a nada, servindo apenas para que tudo se mantenha como sempre esteve.

Porque o roubar e o ganhar andam de mãos dadas em quase tudo, como se a vida não passasse disso mesmo, uma vida em que quem ganha tem de roubar e quem perde é sempre roubado. Mas hoje, vamos fazer de conta que isso só acontece no futebol, onde a linguagem é daquelas coisas que dão para tudo.

Antes dos jogos, todos vão ganhar, porque são mais fortes ou, reconhecendo que o não são, e para compensar, vão meter mais gás nas pernas, na cabeça e nos braços. Vão contar com a ajuda do além, como se não fosse o aquém que todos têm na mente, depois de se terem desdobrado em contactos e encontros do mais alto grau.

Como são todos muito sérios e honestos só se pronunciam sobre a falta de seriedade e honestidade dos adversários. Para qualquer das partes em confronto, o jogo nunca é um jogo, como tal, de resultado incerto, que dependerá da forma como cada uma das equipas souber contrariar os trunfos contrários.

Depois, ouvimos dizer coisas como esta. Queremos roubar os três pontos ao nosso adversário. Queremos roubar-lhe o título. É bonito ver como muitas vezes se fala verdade sem querer. Porque roubar é o que mais se vê semana a semana. Roubar é um desejo que até parece legítimo.                                                                                                                                                                                                                                                  

Quando esses são acusados de ganhar através do roubo provocado por terceiros, já não se conformam com a ideia. Ora, roubar é sempre roubar, porque nunca se devia ganhar através de um roubo, seja ele de que natureza for. Mas, como todos bem sabemos, de boas intenções está o inferno cheio.

E não sou eu que vou dizer, simplesmente, que uns roubam e outros são roubados. Infelizmente, andarei mais perto da verdade, se disser que a roubalheira vai sendo cada vez mais geral. 

Diria ainda que, cada vez rouba mais, quem menos precisa e, também, é quem rouba mais, que acusa os outros de roubar.

 

 

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