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afonsonunes

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10 Abr, 2011

O meu inglês

 

Já lá vão alguns dias em que não apareci por aqui. Mas, a culpa não foi toda minha, tão pouco quero imitar nada nem ninguém, a propósito dessa malvada que ninguém quer e que ninguém é capaz de ter a elevação de assumir aquela parte que, maior ou menor, cabe a todos os anjinhos que só vêem a pureza das suas asas brancas.  

Em primeiro lugar, tenho o privilégio de não vir aqui quando quero, mas quando me deixam e, durante algum tempo ‘o meu servidor’, segundo as janelas que se abrem perante os meus olhos um tanto desconfiados de ‘marotice’, se fecha em copas e me dá uma valente tampa quando chego ao clique de acesso.

Em segundo lugar, aproveitei a oportunidade para me dedicar ao inglês, visto que é o que está a dar nesta época. Li muita coisa em inglês, fui muitas vezes ao dicionário Inglês/Português, julgando que em poucos dias de impedimento comunicacional, me punha em condições de, também eu, ser capaz de seguir esta tendência que sobreviveu ao meu impedimento.

Em terceiro lugar, e já na posse deste meu espaço, passei três dias estupidamente a ouvir falar em português nas televisões e o resultado não podia ter sido pior. Não só não aperfeiçoei essa querida língua mãe, como ainda esqueci tudo o que tinha já aprendido do inglês que me levaria a concorrer com a moda que está a dar.

É verdade que tentei escrever isto, esta coisa, em inglês, mas não consegui lembrar-me de nada do que já sabia. Cada palavra, da mais simples à mais complicada, da mais pequena à mais extensa em termos de sílabas, lá tinha de recorrer ao dicionário Português/Inglês. Enfim, uma trabalheira que me levou a desistir.

Tudo por causa do português macarrónico das televisões entre a noite de sexta-feira e as três da tarde deste domingo. Não porque fosse muito variado ou intelectualmente profundo, mas porque foi demasiado repetitivo de um lado, e demasiado sarnoso por parte de quem me quis ensinar outra forma de ouvir.

Sim, porque eu não percebo muito do inglês que estou a aprender aqui, nem do inglês que alguns portugueses andam a exportar lá para fora, mas ainda consigo perceber o que alguns portugueses que falam nas televisões dizem em português, para portugueses, sem ter de estar a aturar traduções livres de tradutores rascas, mais rascas que a geração.

Resultado lógico, quem anda à rasca sou eu no meio desta confusão de congressos e congressistas onde acabo por não saber de quem são esses congressos, se são de quem dizem que são, ou se são dos informadores que vão lá para dizer que estão a ver o que estão a pensar que gostariam de ver ali e muito mais para diante.

Perante isto, como é que eu podia escrever fosse o que fosse em inglês, se ainda nem em português consigo entender quem vai tirar-me desta bagunça, que já começou a roubar-me o sono e as ideias, para continuar a dizer aquilo que ninguém entende? Pois, na verdade, estou certo de que, em português ou em inglês, é tudo igual ao litro.

A propósito: a partir da próxima terça-feira talvez fiquemos também a saber se cá, aqui, ficaremos obrigados a falar apenas em inglês, alemão ou francês, ou se ainda poderemos, excepcionalmente, numa despedida de grande significado e relevância de adeus à nossa língua, dizer obrigado em português.